quarta-feira, 28 de abril de 2021

Hiwis Russos que lutaram no Exército Nazista



HIWIS:

Hiwis é o diminutivo de Hilfswillige, significando ajudante voluntário. Eram russos que passaram para o lados dos alemães durante a invasão nazista à URSS.

"Embora alguns fossem voluntários autênticos, a maioria era de prisioneiros soviéticos de guerra, recrutados de campos para compensar faltas de efetivo humano, sobretudo como trabalhadores braçais, mas cada vez mais constantes em funções de combate." (página 215)

Havia, portanto, em 1942, russos lutando ao lado de alemães, reforçando assim os efetivos do exército alemão. 

Comentando sobre o fato de russos serem recrutados nas forças alemãs, o coronel alemão Groscurth, chefe do estado-maior do XI Corpo de Exército na região do rio Don, disse:

"É perturbador que sejamos obrigados a reforçar nossas tropas de combate com prisioneiros de guerra russos, que já estão sendo transformados em atiradores. É um estranho estado de coisas o fato de as 'feras' contra as quais temos lutado estarem agora vivendo conosco na mais íntima harmonia." (página 215)

Além de servir em combate, esses Hiwis também eram usados em outros trabalhos: na cozinha, na faxina e cuidando dos cavalos.

Os nazistas mais convictos, que adotavam a ideia nazista de que os eslavos eram escravos e subhumanos ( untermensch) não viam com bons olhos russos vestindo uniformes alemães.

"Isso refletia a divergência fundamental entre a hierarquia nazista, obcecada com a total subjugação dos eslavos, e os oficiais do exército profissional, que acreditavam que a única esperança era agir como os libertadores da Rússia do comunismo. Já no outono de 1941, o serviço secreto de exército alemão chegara à conclusão de que a Wehrmacht talvez não conseguisse vencer na Rússia, a não ser que transformasse a invasão numa outra guerra civil." (página 216)

Pela ótica da URSS, um Hiwi deveria ser tratado como um ex-russo, extirpando dele sua identidade nacional soviética, de forma a eliminar qualquer ideia de que os cidadãos soviéticos estavam insatisfeitos com a forma como a guerra era conduzida por Stalin. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "STALINGRADO, O CERCO FATAL, ANTONY BEEVOR, EDITORA RECORD



segunda-feira, 26 de abril de 2021

Qual era o pensamento dos contemporâneos quando da ascensão de Hitler ao poder





ZOMBADORES DE HITLER:

Quando Hitler se tornou Chanceler da Alemanha, em 30 de janeiro de 1933, os jornais britânicos da época zombavam dele, não acreditando que ele iria durar muito tempo no cargo. 

Diziam então de Hitler:

"um homem tão pouco inspirador." (página 22)

"dono de um bigodinho ridículo." (página 22)

"pintor de paredes austríaco." (página 22)

"irritável como uma moça." (página 22)

"gordinho austríaco com aperto de mão molenga." (página 22)

Os britânicos acreditavam que Hitler teria um fim igual ao de seus antecessores, os quais duraram pouco no cargo, em meio a uma crise econômica que não tinha fim.

"Desde a guerra, a média de duração de um chanceler no cargo era de menos de um ano, e a economia do país vivia uma grande depressão, com 24% da força de trabalho desempregada." (página 22)

PASSADORES DE PANO/CONTEMPORIZADORES DE HITLER:

Enquanto alguns estadistas já vinham em Hitler o embrião de uma tragédia que iria se abater sobre a humanidade, outros procuravam passar o pano no regime nazista, buscando ver algo de bom nele.

As pessoas que buscavam contemporizar com as barbaridades nazistas tinham um temor ainda maior: o comunismo. Essas pessoas teriam que a Alemanha caísse nas mãos dos comunistas. Para essas pessoas, entre dois males inevitáveis, o nazismo e o comunismo soviético, era preciso escolher o menor deles, daí escolherem o nazismo. 

Uma das pessoas que pensava dessa maneira foi o ex-general britânico Ian Hamilton, que havia lutado na Primeira Guerra Mundial. Ian Hamilton tinha mais medo do comunismo soviético do que do nazismo de Hitler. Ian Hamilton acreditava que caso a Alemanha sucumbisse ao comunismo soviético, isso seria o "infortúnio mais mortal para a Europa." (página 26/27 )

Enfim, o medo que o comunismo soviético se alastrasse pela Europa fez com que muitos membros da classe social de Ian Hamilton visse o nazismo com olhos condescendentes, contemporizando com Hitler. 

Quando, em 1º de Abril de 1933, os nazistas patrocinaram o primeiro ato de perseguição aos judeus de amplitude nacional, consubstanciado no boicote a empresas e lojas pertencentes a judeus, a reação internacional foi de ultraje. Mas esse ultraje não passou de esperneio, sem medidas práticas para demover os nazistas de suas políticas criminosas. 

O governo inglês, por exemplo, nada podia fazer além de um protesto por meio de seu embaixador em Berlim. 

No mais, numa política de lavar as mãos, imperava a ideia segundo a qual 👉👉

"Se um país enlouquece, tem o direito de cometer horrores de todo tipo dentro de suas próprias muralhas." (página 27)

OS PRIMEIROS ESTADISTAS QUE ALERTARAM SOBRE O PERIGO QUE O REGIME NAZISTA REPRESENTAVA PARA A HUMANIDADE:

Um dos primeiros estadistas a alertar sobre o perigo que o regime nazista representava para a humanidade foi o embaixador britânico em Berlim, Sir Horace Rumbold. Já em abril de 1933, Sir Horace Rumbold já alertava o governo de seu país por meio de despachos, nos quais descrevia a ideologia nazista para seus superiores. Ele tinha lido o livro Mein Kampf, espécie de autobiografia e manifesto escrito por Adolf Hitler. 

Horace Rumbold então desvelava o Darwinismo Social do regime nazista nos seguintes termos:

"Ele (Hitler) inicia afirmando ser o homem um animal que luta e conclui, portanto, ser a nação uma unidade lutadora, posto que é uma comunidade de lutadores. Um organismo vivo que deixe de lutar por sua existência está destinado à extinção, afirma. País ou raça que pare de lutar está igualmente condenado." (página 29)

O pacifismo então seria, no pensamento de Hitler, o mais mortal dos pecados, pois significava a rendição da raça na luta por sua existência. Hitler, portanto, buscava transplantar a ideia da sobrevivência do mais apto, do mais forte, que é verificada na luta dos organismos vivos na natureza pela sua sobrevivência, para o âmbito das relações entre os Estados e as raças humanas. 

Um Estado e uma raça humana que não lutam estarão condenados à extinção, da mesma forma como um organismo vivo que deixe de lutar pela sua sobrevivência. 

Fica claro, então, desde o início, o caráter belicoso do pensamento de Hitler, que via no conflito, na luta a chave para a sobrevivência da Alemanha. Quem não luta perecerá. Se a Alemanha não lutasse, iria perecer.

O alerta de Horace Rumbold ao governo britânico não resultou em nada. Ademais, naquela mesma época, o embaixador francês em Berlim, François Poncet, que também tinha lido o livro Mein Kampf, não o via como uma ameaça concreta.

Francois Poncet ficava em dúvida em "...encarar Mein Kampf como uma linha-mestra de sua (de Hitler) atuação no poder ou os resmungos inócuos de um jovem agitador. No geral, tendia à segunda opção." (página 31)

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "NEGOCIANDO COM HITLER, A DESASTROSA DIPLOMACIA QUE LEVOU À GUERRA", DE TIM BOUVERIE, EDITORA CRÍTICA



Hitler e Stalin Pacto Ribbentrop Molotov 23 de Agosto de 1939 Nacional Bolchevismo



PACTO RIBBENTROP-MOLOTOV:

O Pacto Ribbentrop-Molotov ou Nazi-Soviético de 23 de agosto de 1939 causou uma reviravolta política sem precedentes que antecedeu a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Essa Aliança entre Stalin e Hitler, entre os Comunistas de Moscou e os Nazista de Berlim ajudou a reforçar a narrativa daqueles que viam nos dois regimes mais convergências do que diferenças. 

"Consequentemente, a ideia de que Hitler e Stalin estavam convergindo, ou mesmo de que os dois compartilhavam algum DNA político, teve sua voga." (página 141)

De fato, Stalin e Hitler convergiam em alguns pontos:

👉 Hitler e Stalin desprezavam todos os argumentos, exceto o da força superior. Nesse sentido, Hitler tinha usado sua força superior para subjugar a Polônia em 1939. Depois ainda anexaria a Grécia, a Dinamarca, a Noruega, Holanda, Bélgica e a parte norte da França, tudo isso no ano de 1940. Stalin, por sua vez, usou sua força superior para anexar os países bálticos (Letônia, Estônia, Lituânia) em meados de 1940, para anexar partes do território da Finlândia (Guerra de Inverno de 1939/1940) e a província romena da Bessarábia (meados de 1940). Para Hitler e Stalin, portanto, as relações entre os países deveriam ser reguladas pela lei do mais forte e não pela aplicação do Direito Internacional. Só a força importava.

👉 Nazistas e Comunistas eram regimes revolucionários que desprezavam as democracias capitalistas ocidentais, como França e Grã-Bretanha.

NACIONAL BOLCHEVISMO:

O Nacional Bolchevismo seria uma junção entre o comunismo da URSS com o fascismo da Alemanha nazista:

👇

"Pelas leis inexoráveis de sua dialética, o bolchevismo fez nascer a sua antítese, o Nacional-Socialismo. Hoje a pergunta que se faz é se essa coisa feia que reina de Vladivostok a Colônia está se transformando na síntese inevitável, o Nacional-Bolchevismo." (trecho de Editorial do jornal inglês News Statesman - página 141).

A UNIÃO ENTRE A URSS COMUNISTA E A ALEMANHA NAZISTA NÃO ERA APENAS TEÓRICA:

"Essa aparente convergência de objetivos nazistas e soviéticos não era meramente teórica. Nos Estados Unidos, em outubro de 1940, um marinheiro mercante britânico foi preso em Boston, por ter se oferecido para abastecer a rede de espionagem alemã local com informações sobre comboios atlânticos. George Armstrong era um comunista de 39 anos de Newcastle que tinha sido motivado por um discurso de Molotov incentivando todos os marinheiros mercantes aliados a desertarem logo que chegassem a um porto neutro. Deportado para a Grã-Bretanha, Armstrong foi julgado por ajudar o inimigo - o primeiro britânico da guerra a ser julgado por espionagem - e condenado à morte. Teria ficado estupefato se soubesse que, quando foi executado, em julho de 1941, a amizade nazi-soviética em cujo nome tinha cometido traição já era coisa do passado." (página 142)

De fato, em julho de 1941, a Alemanha Nazista estava em guerra com a URSS. O Pacto Ribbentrop-Molotov, em cujo nome George Armstrong cometeu traição que lhe rendeu uma condenação à morte, durou 22 meses, de 23 de agosto de 1939 a 22 de junho de 1941. Em 22 de junho de 1941 a Alemanha Nazista deu início à Operação Barbarossa, a invasão da URSS.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "O PACTO DO DIABO, A ALIANÇA DE HITLER COM STALIN, 1939-1941", DE ROGER MOORHOUSE, EDITORA OBJETIVA. 



quinta-feira, 22 de abril de 2021

Hitler invade a ilha de Creta Maio de 1941



CRETA - ANTONY BEEVOR

Tudo começou em outubro de 1940, com a Itália invadindo a Grécia. Antes disso, em junho de 1940, a mesma Itália tinha declarado guerra à Grã-Bretanha. O que era para ser um passeio, tornou-se uma pesadelo para os italianos. Os gregos resistiram à invasão e ainda impuseram derrotas aos italianos. A Grã-Bretanha ainda veio em socorro aos gregos. Enquanto isso, a Alemanha via com preocupação o seu aliado, a Itália, apanhando dos gregos e, pior de tudo, via a Grã-Bretanha voltando a ter uma base no continente europeu. A Alemanha, prestes a iniciar a Operação Barbarossa, a invasão da URSS, não poderia permitir que sua retaguarda direita fosse ameaçada pela presença britânica nos Bálcãs. A Grã-Bretanha enviou uma Força Expedicionária para a Grécia. E para piorar ainda mais para os alemães, a presença britânica nos Bálcãs colocava sob ameaça seus poços de petróleo em Ploesti, na Romênia. Diante de tudo isso, a Alemanha nazista se viu obrigada a invadir os Bálcãs. Para chegar à Grécia, a Alemanha teria que passar pela Iugoslávia. Superada a Iugoslávia, os alemães invadiram a Grécia. Conquistada a Grécia, os alemães então partiram para a conquista da ilha de Creta. E é sobre a conquista da ilha de Creta pela Alemanha nazista, em maio de 1941, de que trata esse livre de Antony Beevor.

INTERESSE ITALIANO NA GRÉCIA:

Em seu sonho imperial, em seu sonho de reviver o Império Romano, Mussolini planejava conquistar a Grécia. A Itália ainda tinha declarado guerra à Grã-Bretanha em 10 de junho de 1940, tornando a conquista a Grécia e do Mar Mediterrâneo oriental ainda mais necessário, de forma a ameaçar a presença britânica no Egito e no vital Canal de Suez. Se a Itália conseguisse dominar a navegação no Mar Mediterrâneo oriental, a Grã-Bretanha se viria em sérios apuros, em razão de sua dependência do Canal de Suez.

Então, em 28 de outubro de 1940, partindo da Albânia, país que o exército italiano ocupara em abril de 1939, a Itália deu início à invasão da Grécia. O desempenho do exército italiano foi catastrófico. Os gregos, com a ajuda de uma Força Expedicionária Britânica, deram uma surra nos italianos. Mussolini então teve que pedir ajuda à Alemanha Nazista. A Alemanha então veio em socorro aos italianos, em 6 de abril de 1941, invadindo a Grécia, a partir da Iugoslávia, invadida pelos alemães em 27 de março. Os alemães então varreram os gregos e a Força Expedicionária britânica. Posteriormente, os alemães ainda iriam invadir a ilha de Creta, em maio de 1941, expulsando dali forças  (uma mistura de soldados neozelandeses, australianos, escoceses, ingleses, gregos e guerrilheiros locais) da Creforce, sob o comando do general  neozelandês Freyberg 

ESTRATÉGIA PERIFÉRICA ALEMÃ:

Hitler via na conquista da Grécia e do mediterrâneo oriental uma forma de derrotar a Grã-Bretanha sem precisar atacá-la de forma direta, numa invasão pelo Canal da Mancha. 

Fazia parte dessa estratégia periférica alemã a conquista de Gibraltar, denominada Operação Félix. Neste caso, Hitler teve problemas com o ditador espanhol Franco, que não se viu inclinado a ajudar os alemães. Restou então para Hitler a Grécia e o Mediterrâneo Oriental, por meio dos quais os nazistas poderiam atacar o Canal de Suez, artéria vital para a Grã-Bretanha. A invasão da Grécia foi denominada de Operação Marita. 

Mas no fim foi a Itália que deu início à invasão da Grécia, em outubro de 1940. O Mar Mediterrâneo era o "Mare Nostrum" dos Italianos e Hitler fez essa concessão a Mussolini. Mas a invasão italiana foi um total fracasso. Os gregos, com a ajuda da Força Expedicionária Britânica, impuseram várias derrotas aos italianos. Diante do fracasso italiano, Hitler se viu obrigado a intervir nos Bálcãs.  A Alemanha tinha que socorrer seu aliado em apuros, além de expulsar a Força Expedicionária britânica da Grécia. Hitler não poderia permitir que os britânicos ficassem instalados na Grécia, colocando em risco seu exército (criação de uma frente inimiga à direita de sua retaguarda), bem na véspera da Operação Barborossa, a invasão da URSS.

INTERESSE BRITÂNICO NOS BÁLCÃS E NA GRÉCIA:

A Grã-Bretanha viu na Grécia e nos Balcãs uma chance de voltar a por os pés no continente europeu, apagando o vexame da retirada de Dunquerque. 

O Britânicos também ficariam próximos do campo petrolífero de Ploesti, na Romênia, que era utilizado pelos alemães no abastecimento de sua máquina de guerra. Com uma base na Grécia, os britânicos poderiam enviar bombardeios para destruir o campo petrolífero de Ploesti. 

Os britânicos ainda sonhavam com uma aliança balcânica contra os alemães, unindo Turquia, Grécia e Iugoslávia. Ficou só no sonho. A Iugoslávia ainda ensaiou uma oposição à Alemanha, mas a Blitzkrieg alemã a esmagou. A Turquia rechaçou a proposta inglesa, pois temia ter o mesmo fim da Polônia: ser invadida concomitantemente pela Alemanha e pela sua inimiga história, a URSS, que naquela época ainda era aliada dos nazistas. 

CONSEQUÊNCIAS DO CONFLITO BALCÂNICO/GREGO PARA O DESENROLAR DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL:

1) Há um corrente que defende que o conflito balcânico (invasão italiana à Grécia, seguida da invasão alemã à Iugoslávia e à Grécia/Creta) atrasou o lançamento da Operação Barbarossa, a invasão alemã à URSS. 

2) Confirmou a falsa sensação de segurança de Stalin. A invasão alemã dos Bálcãs fez com que Stalin pensasse que o objetivo alemão era a conquista do Canal de Suez, no Egito. Isso fez com que Stalin passasse a desprezar ainda mais as notícias de que a Alemanha estava preparando uma invasão à URSS. 

3) Para os ingleses foi mais uma retirada do continente europeu. 

"...dos 58 mil soldados enviados à Grécia, houve dois mil mortos e feridos e 14 mil aprisionados." (página 77)

De positivo para a Grã-Bretanha restou somente a mensagem que buscou passar para o resto do mundo, principalmente para os EUA. A mensagem era a de que a Grã-Bretanha não abandonava seus aliados. Essa mensagem era importante, principalmente naquele momento em que a Grã-Bretanha buscava uma aliança com os EUA.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDA DA LEITURA DO LIVRO "CRETA", DE ANTONY BEEVOR, EDITORA RECORD





segunda-feira, 19 de abril de 2021

Pacto Ribbentrop Molotov Pacto Nazi-Soviético Pacto Hitler Stalin 23 agosto de 1939



PACTO RIBBENTROP MOLOTOV:

Assinado em 23 de agosto de 1939. Encerrado em 22 de junho de 1941, quando a Alemanha Nazista invadiu a URSS (Operação Barbarossa).

Ribbentrop era então o Ministro das Relações Exteriores de Hitler, enquanto Molotov era o Ministro das Relações Exteriores de Stalin

Adolf Hitler e Stalin, Alemanha Nazista e URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) ficaram juntos por 22 meses, quase 1/3 da duração da Segunda Guerra Mundial.

Não foi propriamente uma aliança. Foi um tratado de não agressão. A ele se seguiram mais 4 acordos. 

O Acordo Ribbentrop-Molotov trouxe consequências nefastas para Polônia, Letônia, Finlândia, Lituânia, Estônia e Romênia. 

Polônia e os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letônia) deixaram de existir. A Polônia foi dividida entre a Alemanha e a URSS, enquanto que os estados bálticos foram anexados pela URSS. A Romênia perdeu a sua província da Bessarábia para a URSS. A Finlândia perdeu a carélia e outros territórios para a URSS.

Com base ainda no Pacto Ribbentrop-Molotov, Alemanha e URSS trocavam informações, segredos, tecnologia e matéria-prima. 

"Apesar de sua brevidade, durou apenas 22 meses, e seus sete curtos parágrafos, tem menos de 280 palavras, o Pacto Nazi-Soviético foi determinante." (página 25)

TEUTOSLÁVIA:

"Por um tempo, parecia que as duas ditaduras (a Alemanha Nazista e a URSS) - ou a teutoslávia, como um político britânico as chamava - tinham se juntado contra o mundo democrático." (página 22)

AS RAZÕES DE HITLER PARA PACTUAR COM STALIN:

Para Hitler era a adoção da Realpolitik, isto é, fazer aquilo que é de seu interesse e que funcione.

Com o Pacto com Stalin, a Alemanha conseguiria contornar o Bloqueio marítimo inglês, na medida em que aquela teria acesso à matéria-prima e alimentos da URSS.

Hitler ainda se via cercado. Em março de 1939, a Grã-Bretanha fez um tratado com a Polônia. A mesma Polônia que rechaçou qualquer acordo com a Alemanha Nazista. Hitler tentou atrair Polônia (final de 1938, início de 1939) para um acordo com a Alemanha, no qual os dois países entrariam juntos num conflito contra a URSS. 

Hitler ainda sabia que não poderia lutar em duas frentes, contra a URSS no leste e contra França e Grã-Bretanha no oeste, como tinha acontecido durante a Primeira Guerra Mundial. Com o Pacto com a URSS, Hitler se viu livre para agir contra a França e a Grã-Bretanha. 

Resolvida a guerra no front oeste, com a derrota da França, então Hitler poderia se concentrar na URSS. A URSS sempre foi um alvo, por causa de seu regime comunista e porque Hitler via a URSS como local do Lebensraum alemão, o espaço vital alemão, no qual seriam buscados as matérias-primas e os alimentos para o Reich alemão. A URSS vista como área de expansão da Alemanha remontava à Idade Média, quando já havia um desejo de marchar para o leste - "Drang nach osten"

AS RAZÕES DE STALIN PARA PACTUAR COM HITLER:

Aforismo de Lênin: A história não se desenrola por linha reta, mas em zigue-zagues, sinuosamente.  

1) A narrativa cor-de-rosa dos comunistas:

A narrativa cor-de-rosa dos comunistas para o Pacto Ribbentrop-Molotov prendia-se à necessidade da URSS de ganhar tempo, mantendo a Alemanha nazista contida enquanto preparava as suas defesas.

2) Desejo da URSS de expandir para o oeste, para o coração industrial da Europa, acarretando a queda do capitalismo na Alemanha, França e Grã-Bretanha:

"...Stalin foi muito mais proativo e antiocidental ao assinar o pacto do que convencionalmente se julga. Pelo menos num sentido, procurava explorar a agressão nazista em benefício próprio, a fim de acelerar a queda do Ocidente e o tão esperado colapso do mundo capitalista. Um neutro relutante e passivo é o que ele não era." (páginas 22/23)

De fato, Stalin queria ver Alemanha, França e Grã-Bretanha exauridos pela guerra, dando margem assim a uma futura entrada vantajosa da URSS na guerra que viria. E ainda havia a esperança de revoluções comunistas num ocidente capitalista depauperado pela guerra.

Stalin sabia que a revolução comunista de 1917, num país rural como a Rússia, tinha sido algo anômalo. Assim, a fim de assegurar o próprio futuro, a URSS teria que se expandir para o oeste, para o coração industrial da Europa, mais precisamente para a Alemanha, cujo proletariado desenvolvido e ideologicamente sólido iria romper as correntes da democracia burguesa, unindo-se então à URSS. A URSS tentou isso em 1919/1920, na guerra contra a Polônia. Se a Polônia tivesse sido derrotada naquele conflito, provavelmente a URSS teria prosseguido a sua marcha rumo à Alemanha. Stalin via agora, no possível embate entre a Alemanha Nazista contra França e Grã-Bretanha, a oportunidade de que precisava para expandir a URSS para o oeste.

Para tanto, Stalin esperava que acontecesse na França, na Grã-Bretanha e na Alemanha o mesmo que havia ocorrido na Rússia em 1917: a eclosão da Revolução Comunista, na esteira da miséria que a Primeira Guerra Mundial havia produzido no país. Lênin teria dito que a Primeira Guerra Mundial tinha proporcionado a tomada de poder dos bolcheviques na Rússia e a Segunda Guerra Mundial iria acarretar o domínio da França, da Alemanha e da Grã-Bretanha pela URSS. (página 48).

O Pacto Ribbentrop-Molotov poderia então abrir o caminho para que a URSS se expandisse para o oeste. Num primeiro momento a URSS apoiaria a Alemanha Nazista de forma a fomentar a guerra entre esta e a França e a Grã-Bretanha. Quando o proletariado empobrecido pela guerra se levantasse na França, na Alemanha e na Grã-Bretanha, as burguesias desses países tentariam acabar com a guerra, voltando-se então para esmagar a insurreição do proletariado em seus países. Nesse momento, a URSS entraria para proteger os proletários sublevados:

"Mas nesse momento nós (URSS) acudiremos para ajudá-lo (o proletariado) com novas forças bem preparadas, e no território da Europa ocidental, acho eu (Molotov), em algum lugar perto do Reno (rio), a batalha final entre o proletariado e a burguesia degenerada será travada, decidindo para sempre o destino da Europa. Estamos convencidos de que nós, e não a burguesia, venceremos essa batalha." (Molotov, Ministro das Relações Exteriores da URSS, em conversa com o comunista lituano Vincas Kreve Mickevicius, citado em Richard Raak, Stalin's Drive to the West, 1938-1945) (página 49)

3) Outras razões para Stalin fazer um acordo com a Alemanha Nazista:

Num primeiro momento, a política da URSS para conter o fascismo concentrava-se na formação de Frentes Populares e na construção de uma defesa coletiva, envolvendo outros países, por meio da Liga das Nações (a URSS foi aceita na Liga das Nações em 1934)

Todas essas iniciativas fracassaram. Stalin, de Moscou a marcha vitoriosa do Fascismo:

Na Espanha, a República, que chegou ao poder por meio de uma Frente Popular,  foi derrotada pelo fascista General Franco, que contou com a ajuda dos fascistas Hitler e Mussolini. A Alemanha violava o Tratado de Versalhes, remilitarizando a Renânia. A Alemanha se expandia. Anexou a Áustria (Auschluss) em 1938, anexou os sudetos em outubro de 1938 e Morávia e Boêmia em março de 1939. A Itália invadiu e anexou a Abissínia. 

Stalin vendo a marcha do fascismo sem oposição eficaz se deu conta que não podia contar com a Frentes Populares e com a Liga das Nações para conter o apetite dos fascistas. Stalin se deu conta que não podia contar com a Grã-Bretanha e com a França para conter os fascistas. Stalin começou a ver na passividade da Grã-Bretanha e da França um sinal de que esses dois países poderiam entrar em acordo com a Alemanha Nazista à custa da URSS. (página 46)

Em março de 1939, Stalin discursou acusando as potências ocidentais capitalistas de serem deliberadamente coniventes com as agressões de países como a Itália, que acabara de invadir a Abissínia. Essas mesmas potências ocidentais nada fizeram quando a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. E as potências ocidentais capitalistas agiam assim porque desejavam, no fim, jogar a URSS numa guerra contra a Itália e a Alemanha, para que ambos "...enfraquecessem e exaurissem uns aos outros, até que os debilitados beligerantes estivessem prontos para aceitar as condições ditadas mais uma vez pelo mundo capitalista.' (página 46)

CONSUMAÇÃO DO PACTO GERMANO-SOVIÉTICO:

O Pacto foi assinado no dia 23 de agosto de 1939. Mas a sua consumação veio no dia 22 de setembro de 1939, na cidade de Brest-Litovsk, quando soldados alemães e soviéticos fizeram um desfile militar conjunto, sob os olhares do general alemão Guderian e do general russo Krivoshein.

Naquela oportunidade, os alemães entregavam a cidade de Brest-Litovsk para os russos, tudo de acordo com o acordado no Pacto Ribbentrop-Molotov.

O General soviético, Krivoshein, no dia seguinte ao desfile, teria dito a dois jornalista alemães: "Hitler e Stalin, homens do povo." (página 33)

Os alemães, por sua vez, por meio do jornal nazista Volkischer Beobachter, comemoravam o acordo entre Stalin e Hitler escrevendo: "...o encontro com os soviéticos em Brest tinha afundado de vez os piedosos planos das democracias ocidentais." (página 33)

EU OS PEGUEI!:

Quando Hitler ficou sabendo que Stalin tinha aceitado os termos do acordo Nazi-Soviético, deu um murro na mesa e gritou: "Eu os peguei."

Stalin, por sua vez, deve ter pensado e mesma coisa.

O Pacto de Não Agressão Nazi-Soviético, assinado no dia 23 de agosto de 1939, surpreendeu a todos. 

Dois inimigos jurados fazendo juras de amor. 

A verdade é que ambos continuavam inimigos. 

Os objetivos de Hitler e de Stalin não tinham mudado. 

Hitler continua vendo a URSS como o local de seu Lebensraum, o local no qual o Reich Alemão iria buscar o seu espaço vital. 

E Stalin continuava a sonhar com a Europa ocidental convertida ao comunismo soviético.

Stalin e Hitler só deviam convergir num ponto: ambos viam no Pacto Nazi-Soviético apenas como uma simples etapa que talvez ajudasse a sua causa, cumprindo seu destino ideológico. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "O PACTO DO DIABO", A ALIANÇA DE HITLER COM STALIN, 1939-1941, ROGER MOORHOUSE,  EDITORA OBJETIVA.