segunda-feira, 19 de abril de 2021

Pacto Ribbentrop Molotov Pacto Nazi-Soviético Pacto Hitler Stalin 23 agosto de 1939



PACTO RIBBENTROP MOLOTOV:

Assinado em 23 de agosto de 1939. Encerrado em 22 de junho de 1941, quando a Alemanha Nazista invadiu a URSS (Operação Barbarossa).

Ribbentrop era então o Ministro das Relações Exteriores de Hitler, enquanto Molotov era o Ministro das Relações Exteriores de Stalin

Adolf Hitler e Stalin, Alemanha Nazista e URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) ficaram juntos por 22 meses, quase 1/3 da duração da Segunda Guerra Mundial.

Não foi propriamente uma aliança. Foi um tratado de não agressão. A ele se seguiram mais 4 acordos. 

O Acordo Ribbentrop-Molotov trouxe consequências nefastas para Polônia, Letônia, Finlândia, Lituânia, Estônia e Romênia. 

Polônia e os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letônia) deixaram de existir. A Polônia foi dividida entre a Alemanha e a URSS, enquanto que os estados bálticos foram anexados pela URSS. A Romênia perdeu a sua província da Bessarábia para a URSS. A Finlândia perdeu a carélia e outros territórios para a URSS.

Com base ainda no Pacto Ribbentrop-Molotov, Alemanha e URSS trocavam informações, segredos, tecnologia e matéria-prima. 

"Apesar de sua brevidade, durou apenas 22 meses, e seus sete curtos parágrafos, tem menos de 280 palavras, o Pacto Nazi-Soviético foi determinante." (página 25)

TEUTOSLÁVIA:

"Por um tempo, parecia que as duas ditaduras (a Alemanha Nazista e a URSS) - ou a teutoslávia, como um político britânico as chamava - tinham se juntado contra o mundo democrático." (página 22)

AS RAZÕES DE HITLER PARA PACTUAR COM STALIN:

Para Hitler era a adoção da Realpolitik, isto é, fazer aquilo que é de seu interesse e que funcione.

Com o Pacto com Stalin, a Alemanha conseguiria contornar o Bloqueio marítimo inglês, na medida em que aquela teria acesso à matéria-prima e alimentos da URSS.

Hitler ainda se via cercado. Em março de 1939, a Grã-Bretanha fez um tratado com a Polônia. A mesma Polônia que rechaçou qualquer acordo com a Alemanha Nazista. Hitler tentou atrair Polônia (final de 1938, início de 1939) para um acordo com a Alemanha, no qual os dois países entrariam juntos num conflito contra a URSS. 

Hitler ainda sabia que não poderia lutar em duas frentes, contra a URSS no leste e contra França e Grã-Bretanha no oeste, como tinha acontecido durante a Primeira Guerra Mundial. Com o Pacto com a URSS, Hitler se viu livre para agir contra a França e a Grã-Bretanha. 

Resolvida a guerra no front oeste, com a derrota da França, então Hitler poderia se concentrar na URSS. A URSS sempre foi um alvo, por causa de seu regime comunista e porque Hitler via a URSS como local do Lebensraum alemão, o espaço vital alemão, no qual seriam buscados as matérias-primas e os alimentos para o Reich alemão. A URSS vista como área de expansão da Alemanha remontava à Idade Média, quando já havia um desejo de marchar para o leste - "Drang nach osten"

AS RAZÕES DE STALIN PARA PACTUAR COM HITLER:

Aforismo de Lênin: A história não se desenrola por linha reta, mas em zigue-zagues, sinuosamente.  

1) A narrativa cor-de-rosa dos comunistas:

A narrativa cor-de-rosa dos comunistas para o Pacto Ribbentrop-Molotov prendia-se à necessidade da URSS de ganhar tempo, mantendo a Alemanha nazista contida enquanto preparava as suas defesas.

2) Desejo da URSS de expandir para o oeste, para o coração industrial da Europa, acarretando a queda do capitalismo na Alemanha, França e Grã-Bretanha:

"...Stalin foi muito mais proativo e antiocidental ao assinar o pacto do que convencionalmente se julga. Pelo menos num sentido, procurava explorar a agressão nazista em benefício próprio, a fim de acelerar a queda do Ocidente e o tão esperado colapso do mundo capitalista. Um neutro relutante e passivo é o que ele não era." (páginas 22/23)

De fato, Stalin queria ver Alemanha, França e Grã-Bretanha exauridos pela guerra, dando margem assim a uma futura entrada vantajosa da URSS na guerra que viria. E ainda havia a esperança de revoluções comunistas num ocidente capitalista depauperado pela guerra.

Stalin sabia que a revolução comunista de 1917, num país rural como a Rússia, tinha sido algo anômalo. Assim, a fim de assegurar o próprio futuro, a URSS teria que se expandir para o oeste, para o coração industrial da Europa, mais precisamente para a Alemanha, cujo proletariado desenvolvido e ideologicamente sólido iria romper as correntes da democracia burguesa, unindo-se então à URSS. A URSS tentou isso em 1919/1920, na guerra contra a Polônia. Se a Polônia tivesse sido derrotada naquele conflito, provavelmente a URSS teria prosseguido a sua marcha rumo à Alemanha. Stalin via agora, no possível embate entre a Alemanha Nazista contra França e Grã-Bretanha, a oportunidade de que precisava para expandir a URSS para o oeste.

Para tanto, Stalin esperava que acontecesse na França, na Grã-Bretanha e na Alemanha o mesmo que havia ocorrido na Rússia em 1917: a eclosão da Revolução Comunista, na esteira da miséria que a Primeira Guerra Mundial havia produzido no país. Lênin teria dito que a Primeira Guerra Mundial tinha proporcionado a tomada de poder dos bolcheviques na Rússia e a Segunda Guerra Mundial iria acarretar o domínio da França, da Alemanha e da Grã-Bretanha pela URSS. (página 48).

O Pacto Ribbentrop-Molotov poderia então abrir o caminho para que a URSS se expandisse para o oeste. Num primeiro momento a URSS apoiaria a Alemanha Nazista de forma a fomentar a guerra entre esta e a França e a Grã-Bretanha. Quando o proletariado empobrecido pela guerra se levantasse na França, na Alemanha e na Grã-Bretanha, as burguesias desses países tentariam acabar com a guerra, voltando-se então para esmagar a insurreição do proletariado em seus países. Nesse momento, a URSS entraria para proteger os proletários sublevados:

"Mas nesse momento nós (URSS) acudiremos para ajudá-lo (o proletariado) com novas forças bem preparadas, e no território da Europa ocidental, acho eu (Molotov), em algum lugar perto do Reno (rio), a batalha final entre o proletariado e a burguesia degenerada será travada, decidindo para sempre o destino da Europa. Estamos convencidos de que nós, e não a burguesia, venceremos essa batalha." (Molotov, Ministro das Relações Exteriores da URSS, em conversa com o comunista lituano Vincas Kreve Mickevicius, citado em Richard Raak, Stalin's Drive to the West, 1938-1945) (página 49)

3) Outras razões para Stalin fazer um acordo com a Alemanha Nazista:

Num primeiro momento, a política da URSS para conter o fascismo concentrava-se na formação de Frentes Populares e na construção de uma defesa coletiva, envolvendo outros países, por meio da Liga das Nações (a URSS foi aceita na Liga das Nações em 1934)

Todas essas iniciativas fracassaram. Stalin, de Moscou a marcha vitoriosa do Fascismo:

Na Espanha, a República, que chegou ao poder por meio de uma Frente Popular,  foi derrotada pelo fascista General Franco, que contou com a ajuda dos fascistas Hitler e Mussolini. A Alemanha violava o Tratado de Versalhes, remilitarizando a Renânia. A Alemanha se expandia. Anexou a Áustria (Auschluss) em 1938, anexou os sudetos em outubro de 1938 e Morávia e Boêmia em março de 1939. A Itália invadiu e anexou a Abissínia. 

Stalin vendo a marcha do fascismo sem oposição eficaz se deu conta que não podia contar com a Frentes Populares e com a Liga das Nações para conter o apetite dos fascistas. Stalin se deu conta que não podia contar com a Grã-Bretanha e com a França para conter os fascistas. Stalin começou a ver na passividade da Grã-Bretanha e da França um sinal de que esses dois países poderiam entrar em acordo com a Alemanha Nazista à custa da URSS. (página 46)

Em março de 1939, Stalin discursou acusando as potências ocidentais capitalistas de serem deliberadamente coniventes com as agressões de países como a Itália, que acabara de invadir a Abissínia. Essas mesmas potências ocidentais nada fizeram quando a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. E as potências ocidentais capitalistas agiam assim porque desejavam, no fim, jogar a URSS numa guerra contra a Itália e a Alemanha, para que ambos "...enfraquecessem e exaurissem uns aos outros, até que os debilitados beligerantes estivessem prontos para aceitar as condições ditadas mais uma vez pelo mundo capitalista.' (página 46)

CONSUMAÇÃO DO PACTO GERMANO-SOVIÉTICO:

O Pacto foi assinado no dia 23 de agosto de 1939. Mas a sua consumação veio no dia 22 de setembro de 1939, na cidade de Brest-Litovsk, quando soldados alemães e soviéticos fizeram um desfile militar conjunto, sob os olhares do general alemão Guderian e do general russo Krivoshein.

Naquela oportunidade, os alemães entregavam a cidade de Brest-Litovsk para os russos, tudo de acordo com o acordado no Pacto Ribbentrop-Molotov.

O General soviético, Krivoshein, no dia seguinte ao desfile, teria dito a dois jornalista alemães: "Hitler e Stalin, homens do povo." (página 33)

Os alemães, por sua vez, por meio do jornal nazista Volkischer Beobachter, comemoravam o acordo entre Stalin e Hitler escrevendo: "...o encontro com os soviéticos em Brest tinha afundado de vez os piedosos planos das democracias ocidentais." (página 33)

EU OS PEGUEI!:

Quando Hitler ficou sabendo que Stalin tinha aceitado os termos do acordo Nazi-Soviético, deu um murro na mesa e gritou: "Eu os peguei."

Stalin, por sua vez, deve ter pensado e mesma coisa.

O Pacto de Não Agressão Nazi-Soviético, assinado no dia 23 de agosto de 1939, surpreendeu a todos. 

Dois inimigos jurados fazendo juras de amor. 

A verdade é que ambos continuavam inimigos. 

Os objetivos de Hitler e de Stalin não tinham mudado. 

Hitler continua vendo a URSS como o local de seu Lebensraum, o local no qual o Reich Alemão iria buscar o seu espaço vital. 

E Stalin continuava a sonhar com a Europa ocidental convertida ao comunismo soviético.

Stalin e Hitler só deviam convergir num ponto: ambos viam no Pacto Nazi-Soviético apenas como uma simples etapa que talvez ajudasse a sua causa, cumprindo seu destino ideológico. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "O PACTO DO DIABO", A ALIANÇA DE HITLER COM STALIN, 1939-1941, ROGER MOORHOUSE,  EDITORA OBJETIVA.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

A Família de Hitler O Surgimento da Grafia Hitler Dúvida sobre o Avô Paterno de Hitler



 

AS ORIGENS DA FAMÍLIA DE ADOLF HITLER:



No ano de 1837, uma criada solteira, MARIA ANNA SCHICKLGRUBER, aos 42 anos de idade, filha de um pequeno fazendeiro, na região agrícola de Waldviertel, aldeia Strones, em Dollersheim, na Áustria, fronteira com a Boêmia, deu à luz ALOIS SCHICKLGRUBER.

Alois Schicklgruber era um bastardo, um filho ilegítimo. Na sua certidão de nascimento, não constava o nome de seu pai.

Em 1842, Maria Anna Schicklgruber casou-se com o moleiro JOHANN GEORG HIEDLER, à época com 50 anos de idade. Alois, por sua vez, não foi morar com Maria Anna e Johann Georg. 

Alois foi morar com JOHANN NEPOMUK HUTTLER, irmão de Johann Georg Hiedler. Johann Nepomuk Huttler era um fazendeiro bem situado na cidade de Spital. Os historiadores chegaram a supor que o casal Maria Ana Schicklgruber e Johann Georg Hiedler, por ser pobre, preferiu deixar Alois com o tio mais bem de vida. Johann Nepomuk cuidou de Alois como se fosse seu filho.

A mãe de Alois, Maria Anna, faleceu em 1847. 

Obs.: O patronímico Hiedler de Johann Nepomuk era grafado como Huttler. Naquela época não se dava muita atenção às grafias dos nomes. O mesmo aconteceria com a grafia Hitler, que veremos mais adiante.

A IDENTIDADE DO AVÔ PATERNO DE HITLER CONTINUA INCERTA:

Alguns historiadores dizem que o verdadeiro pai de Alois, isto é, o avô paterno de Hitler, foi o fazendeiro Johann Nepomuk Huttler.

Essa posicionamento nasceu das dúvidas que surgiram em razão da forma como Johann Nepomuk refez a certidão de nascimento de Alois no ano de 1876

Se Johann Georg Hiedler era o pai de Alois, como registrado por seu irmão em 1876, por que ele não o reconheceu quando de seu casamento com Maria Anna Schicklgruber em 1842? 

Por que Johann Georg Hiedler deixou que Alois fosse criado na casa de seu irmão Johann Nepomuk?

A leitura oficial do Terceiro Reich dizia que o Johann Georg Hiedler era o avô de Hitler.

ALOIS SCHICKLGRUBER/HITLER:



Alois cresceu. Foi sapateiro em Viena e, em 1855, decidiu abandonar sua profissão para seguir uma carreira de Estado, servindo à Monarquia Habsburgo, governante do Império Austro-Húngaro. 

Em 1875 Alois foi promovido para Oficial de Alfândega na cidade de Braunau. 

A REVIRAVOLTA NA CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE ALOIS SCHICKLGRUBER - O SURGIMENTO DA GRAFIA HITLER:

Em 1876 aconteceu uma reviravolta na certidão de nascimento de Alois Schicklgruber. Por iniciativa de Johann Nepomuk Huttler, no espaço reservado ao nome do pai de Alois Schicklgruber foi inserido o nome de Johann Georg Hiedler, falecido há 19 anos, de forma que Alois Schicklgruber deixava de ser um filho ilegítimo. 

Mas não foi só isso que foi mudado na certidão de nascimento de Alois Schicklgruber.

Primeiro, o patronímico Schicklgruber foi retirado do registro de Alois

Segundo, o patronímico Hiedler teve sua grafia modificada para HITLER.

"...naquela época provavelmente não se dava muita atenção à grafia dos nomes." (página 4)

A VIDA PROFISSIONAL E AMOROSA DE ALOIS HITLER:

"Por fora, Alois Hitler, como ele passou a se chamar, desempenhou o papel de funcionário modelo. Um ex-colega de Braunau o descreveu como uma pessoa antipática, que seguia de modo pedante o regulamento dos funcionários, vivia isolado e não cultivava vínculos sociais." (página 5)

"Sua vida amorosa era extremamente instável." (página 5)

Alois se casou várias vezes. Primeiro, com Anna Glasl. Divorciou-se dela. Depois Alois começou a namorar uma garçonete, Franziska Matzelsberger, com a qual teria dois filhos, um ilegítimo, Alois, em 1881, e outro legítimo, Ângela, em 1883. Neste mesmo ano de 1883, Alois e Franziska se casaram. 



A alegria não durou. 

Ainda em 1883, Franziska adoeceu, descobriu uma tuberculose. Enquanto Franziska sofria com a tuberculose, Alois se engraçou com Klara Polzl, "...que já havia trabalhado para ele como empregada doméstica e fora recontratada para ser governanta d seus dois filhos, Alois e Ângela." (página 5)



Klara Polzl era 23 anos mais nova do que Alois. Era "...filha de um pequeno agricultor, Johann Baptist Polzl e de sua esposa Johanna, que por sua vez era uma das filhas de Johann Nepomuk Hutter.

AQUELE ERA UM MUNDO PEQUENO: KLARA POLZL PODERIA SER PRIMA EM SEGUNDO GRAU DE ALOIS HITLER OU PODERIA SER SUA SOBRINHA:

Aquele era um mundo pequeno. Um tio poderia se casar com a sua sobrinha. Primos em segundo grau poderiam se casar.

Alois Hitler começou a namorar a sua empregada, Klara Polzl, que era simplesmente a neta de seu tio Johann Nepomuk Hutter. 

Sendo a neta de Johann Nepomuk Hutter, então Alois estaria namorando sua prima em segundo grau. 

Ou, pior ainda, segundo o entendimento de alguns historiadores, Johann Nepomuk Hutter seria o verdadeiro pai de Alois Hitler. Neste caso, Alois Hitler estaria então namorando a sua sobrinha. Um tio namorando com a sua sobrinha.

Apesar disso, Alois Hitler, depois da morte de sua segunda esposa, Franziska, em 1884, conseguiu a permissão da Igreja Católica para se casar com Klara Polzl. O casamento de Alois, então com 51 anos, e Klara, então com 28 anos, ocorreu em 1885.

No início, Alois Hitler e Klara Polzl tiveram três filhos, Gustav (1885), Ida (1886) e Otto (1887), que faleceram precocemente. 

Mas em 20 de abril de 1889, Klara Polzl deu à luz um menino que iria sobreviver até 30 de abril de 1945. O nome dele: Adolf Hitler.



Alois e Klara ainda teriam mais dois filhos, Edmund, que morreu com sarampo, e Paula, nascida em 1896. 



A FAMÍLIA DE ADOLF HITLER:

A família de Adolf Hitler era composta pelo seu pai Alois e pela sua mãe Klara. Tinha ainda seus dois meio- irmãos Ângela e Alois, filhos de Alois com Franziska. Hitler ainda morava com sua irmã Paula. Havia ainda a irmã de Klara, Johanna Polzl, chamada de 'Tia Hanni', que era corcunda e com um leve retardo mental.

Tratava-se de uma família padrão de classe média abastada. 

"Nesse círculo familiar, Alois Hitler atuava como um pai de família severo e facilmente irritável. Ele exigia de seus filhos obediência irrestrita e respeito incondicional, e, quando estes não cumpriam com suas exigências, ele não pensava duas vezes antes de pegar a vara de marmelo." (página 8)

Klara fazia o contraponto de seu marido:

"Klara era uma mulher humilde, tranquila e obediente, que suportava sem reclamar os arroubos autocráticos de seu marido..." (página 8)

ADOLF HITLER ERA O FILHO MIMADO:

Adolf Hitler era mimado pela sua mãe Klara. 

"A morte precoce de seus três primeiros filhos foi uma perda amarga para ela. Por isso, sempre tentou cercar seu quarto filho, Adolf, com amor e cuidados, enquanto seus dois enteados Alois e Ângela às vezes se sentiam negligenciados." (página 8)

" 'Ele (Adolf Hitler) era mimado desde as primeiras horas da manhã até tarde da noite', declarou William Patrick Hitler, o filho de Alois Jr., em setembro de 1943, em Nova Iorque." (página 9)

HITLER AMAVA SUA MÃE:

Hitler sempre falou de sua mãe com amor (página 9). 

"Anos mais tarde, ele (Adolf Hitler) ainda carregava consigo uma pequena foto de Klara Polzl, dentro da bolsinha de seu paletó." (página 9)

"E um retrato da mãe, pintado a óleo, foi um dos poucos objetos pessoais que Hitler manteve em seu quarto até o fim." (página 9)

A mãe de Adolf Hitler, Klara Polzl, faleceu no dia 21 de dezembro de 1907. Ela tinha 47 anos de idade.

Já o pai de Adolf Hitler, Alois Hitler, faleceu quatro anos antes, em 1903, aos 65 anos de idade.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO ADOLF HITLER, OS ANOS DE ASCENSÃO, 1889-1939, VOLKER ULLRICH, EDITORA AMARILYS



sábado, 20 de fevereiro de 2021

Peste Negra Origem



ORIGEM E RAZÕES DA DISSEMINAÇÃO DA PESTE NEGRA DA ÁSIA CENTRAL PARA A EUROPA, CHINA, ÍNDIA, EGITO E ORIENTE MÉDIO:

A Peste Negra surgiu na Ásia Central, entre a Mongólia (planalto da Mongólia, na região do deserto de Gobi) e o Quirguistão (lato Issyk Kul, perto da fronteiro noroeste da China).

Estas são regiões ainda hoje remotas. O bacilo Y. pestis da Peste Negra, portanto, poderia ter ficando confinado e restringido nessas regiões, caso não existisse no século XIV um processo de globalização já em gestação.

Com efeito, com a ascensão do Império Mongol a partir do século XIII, houve uma pacificação e unificação da Ásia Central, permitindo um crescimento do comércio e das viagens, "....facilitando o crescimento de três atividades que continuam a ter um papel importante na disseminação das doenças infecciosas: o comércio, as viagens e as comunicações mais amplas e eficientes." (página 14)

"Uma doença é mais que meramente um agente patogênico acrescido de um sistema de transporte." (página 65)

"...é fácil imaginar de que forma mudanças políticas e econômicas, como a ascensão do Império Mongol e o desenvolvimento da nascente economia global, teriam possibilitado que o Y. Pestis (Peste Negra) superasse enormes distâncias, populações escassas e outras barreiras que o haviam mantido preso no isolamento da Ásia Central por vários séculos. Depois de unificar a fragmentária estepe sob uma 'Pax Mongolica', os tártaros lançaram diversas redes de comunicação interconectadas por sobre as vastas pradarias abertas na Ásia e da Rússia..." (página 60)

Como exemplo dessa globalização já presente no século XIV podemos citar como exemplo o porto de Caffa, atual Teodósia, localizada na Península da Crimeia. O porto de Caffa era uma concessão do Império Mongol para os comerciantes de Gênova. 

"...entre 70 mil e 80 mil pessoas caminhavam pelas ruas estreitas de Caffa, e uma duzia de línguas diferentes ecoava por seus mercados ruidosos." (página 20)

Pelo porto de Caffa passavam "sedas de merdacaxi da Ásia Central, esturjões do rio Don, escravos da Ucrânia e lenha e peles das grandes florestas russas ao norte. Avaliando Caffa em 1340, um visitante muçulmano declarou que era uma cidade distinta, 'de belos mercados, com um precioso porto em que vi duzentos navios grandes e pequenos' " (página 20)

TRANSMISSOR DA PESTE NEGRA:

O principal transmissor da Peste Negra para o ser humano é a pulga que usa um roedor como hospedeiro. A pulga mais comum que faz isso é a Xenopsylla Cheopis, que é a pulga do rato preto, o Rattus rattus. 

SINTOMAS:

O sintoma mais comum da Peste Negra era o Bubão ovalado. Depois de entrar na pele humana pela picada da pulga, os bacilos da Y. Pestis se multiplicam, formando um inchaço dolorido. 

DIMENSÃO DA TRAGÉDIA:

"O percentual da mortandade mais amplamente aceito é de 33%. Em números simples, isso vale dizer que entre 1347, quando a peste chegou à Sicília, na atual Itália, e 1352, quando surgiu nas planícies russas de Moscou, o continente perdeu 25 milhões de seus 75 milhões de habitantes." (página 28)

DESLOCAMENTO DA PESTE NEGRA:

Como já dito acima, a peste negra surgiu em algum lugar entre a Mongólia e o Quirguistão. No ano de 1339, ela já teria feito suas primeiras vítimas na região do lago Issyk Kul, no Quirguistão. Daí a peste seguiu para leste (China) e para o oeste. Pelo oeste, passou por Belasagun, um ponto de descanso e troca de cavalos para os cavaleiros que integravam uma espécie de Correio mongol, cruzando as estepes levando correspondências e mensagens. Depois a peste chegou na cidade de Samarcanda, no atual Usbequistão, um importante centro comercial da Ásia Central. Em 1346, a peste chegou à margem ocidental do Mar Cáspio, na cidade de Sarai, capital da Horda Dourada Mongol e importante centro de comércio escravo das estepes. A peste continuou a sua viagem, ultrapassando os rios Volga e Don, chegando então à península da Crimeia, no porto genovês de Caffa. E de Caffa a peste se espalhou para a Sicília e da Sicília para o resto da Europa.

"Caffa quase certamente não foi o único porto do leste que a peste atravessou em seu caminho para a Europa, mas, para a geração que vivenciou a peste negra, ela seria para sempre o lugar onde se originara a pestilência, e os genoveses, o povo que levara a doença para a Europa." (página 28/29)

ORIGEM DO NOME:

"...a aplicação da expressão peste negra à peste medieval nasceu de um antigo equívoco histórico. Em 1631, um historiador chamado Johannes Isaacus Pontanus, talvez pensando no uso que Sêneca faz do termo latino para a peste negra - Arta Mors - para descrever um surto de uma doença epidêmica em Roma, alegou que a expressão teria sido comum durante a mortandade do século XIV." (página 43)

Na realidade, a geração que vivenciou a tragédia sanitária do século XIV não chamava a peste de peste negra. Usava a expressão Grande Morte ou ainda Grande Mortandade (página 43)

DESCOBRIDOR DO BACILO RESPONSÁVEL PELA PESTE NEGRA:

Foi o cientista suíço Alexandre Yersin quem descobriu que a peste negra era causada pelo bacilo Yersinia Pestis (Y. Pestis). No final do século XIX um novo surto da peste negra acometeu a China e a Índia. Alexandre Yersin foi um dos cientistas chamados para pesquisar o agente patogênico causador da peste. E em 1894, Alexandre descobriu o bacilo responsável pela peste, dando a ele seu nome: Yersinia Pestis. 

FLAGELANTES E ANTISSEMITISMO:

Com a peste negra ressurgiu a perseguição aos judeus. os bodes expiatórios preferidos em momentos de crise. Acusava-se os judeus de terem espalhado a peste pela Europa. Em 1349, em Basel, seus moradores queimaram os judeus numa ilha no rio Reno. Em Estrasburgo, na atual França, os judeus locais foram levados a um cemitério onde foram assassinados. 

As pessoas do século XIV queriam respostas para aquela mortandade sem fim. Numa época extremamente religiosa, a resposta mais comum era a de que a peste negra era um castigo de Deus para punir os pecados da humanidade. Daí o surgimento dos Flagelantes, que "acreditavam na ideia de que a maldição da humanidade seria eliminada com autoflagelação da carne e assassínio de judeus." (página 47)

Homens então desfilavam pelas vilas e cidades europeias açoitando seus corpos até que o sangue começasse a escorrer. 

No filme "O sétimo selo" de Ingmar Bergman, há uma cena na qual aparecem esses flagelantes em procissão em meio a uma região tomada pela peste.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "A GRANDE MORTANDADE, UMA HISTÓRIA ÍNTIMA DA PESTE NEGRA A PANDEMIA MAIS DEVASTADORA DE TODOS OS TEMPOS", JOHN KELLY, EDITORA BERTRAND BRASIL.



Sulde do Guerreiro Mongol



Sulde era o estandarte do espírito que corporificava a alma do guerreiro mongol.

O Sulde era constituído de fios das crinas dos melhores cavalos do guerreiro mongol, que eram amarrados à haste de uma lança, abaixo da sua lâmina. O guerreiro mongol, ao chegar em sua tenda, fincava o seu sulde na frente dela, como a identificar o seu ocupante.

Então o Sulde ficava ao ar livre, com suas crinas movimentando-se pelo constante vendo das estepes, captando sua energia e as energias do eterno céu azul e do sol. Acreditava-se ainda que essa energia acumulada pelo Sulde passava para o guerreiro mongol.

O Sulde constantemente a flamular pelo vento das estepes indicava o destino do guerreiro mongol, como a dizer que ele não poderia ficar parado, deveria estar em movimento, indo atrás de novos desafios e de pastos melhores para seus animais. 

Quando o guerreiro mongol morria, seu corpo era abandonado à estepe, mas seu Sulde permanecia como a corporificação de sua alma.

Ver mais aqui:

A Alma perdida de Gengis Khan:

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https://direitomaisdireito.blogspot.com/2019/05/a-alma-perdida-de-gengis-khan.html

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "GENGIS KHAN E A FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO", JACK WEATHERFORD, EDITORA BERTRAND BRASIL.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Justificativas para a conquista relâmpago da Espanha sobre os Impérios Pré-Colombianos



RESUMO DAS PRINCIPAIS CONQUISTAS ESPANHOLAS NAS AMÉRICAS:

1519-1521: Hernando Cortés, o primeiro grande conquistador espanhol que subjugou o povo asteca

16 de novembro de 1532: Pizarro encontrou-se com o Imperador Inca Atahualpa em Cajamarca, no norte do Peru. Pizarra era acompanhado por 167 homens. Atahualpa foi detido pelos espanhóis. Mais algumas escaramuças e o Império Inca tinha sido conquistado pela Espanha.

JUSTIFICATIVAS PARA A CONQUISTA RELÂMPAGO DA ESPANHA SOBRE OS IMPÉRIOS PRÉ-COLOMBIANOS:

1) Choque Biológico:

As doenças trazidas pelos europeus causaram uma catástrofe demográfica que se abateu sobre os povos pré-colombianos (Astecas, Maias e Incas).

"Entre o momento da chegada de Cortés e o fim do século XVI, a população do México diminuiu 90%, de 12 milhões (talvez) para pouco mais de 1 milhão." (página 87)

2) Relativa novidade da hegemonia Asteca e Inca:

As comunidades locais recém-conquistadas pelos astecas e pelos incas nutriam uma natural antipatia por estes. Dessa forma, os espanhóis contaram com a colaboração dessas comunidades locais na luta contra os Astecas e Incas. 

3) Superioridade do armamento espanhol e o uso de cavalos:

As armas espanholas eram tecnologicamente superiores. E o uso do cavalo também foi uma vantagem.

4) Falta de conhecimento dos povos pré-colombianos sobre quem os espanhóis eram:

"O que tornou o Império Asteca vulnerável ao ataque espanhol foi o fato de o seu alto comando não ter percebido as origens, objetivos e motivos do seu inimigo europeu. Nem imaginando as razões para o seu súbito aparecimento." (página 86)

5) Ilhas do Caribe como plataforma para a invasão do continente:

As ilhas do Caribe, notadamente Cuba e Hispaniola (atuais Haiti e República Dominicana), serviram como plataforma de lançamento de entradas, expedições e incursões espanholas em direção ao México, à América Central. Essas ilhas serviram para que os espanhóis se adaptassem ao clima das Américas. Eram ainda locais acolhedores e de fácil acesso para os navios espanhóis. E os indígenas que as habitavam não eram páreo para o poderio espanhol. 

"Proporcionavam uma base vital onde os espanhóis podiam adaptar-se ao clima e a partir da qual podiam explorar a costa da América Central." (página 85)

Nessas ilhas ainda havia ouro de aluvião, cuja extração serviu para financiar os elementos espanhóis que organizavam expedições para a o México e a América Central. 

"Foi o ouro roubado aos ameríndios ou extraído com trabalho escravo, e não o ouro da Espanha, que ajudou a financiar as entradas organizadas localmente após 1508."(página 86)

"O avanço para o continente americano foi obra, não de príncipes ou capitalistas residentes na Europa, mas de pioneiros sedentos de ouro incitados pelo rápido esgotamento dos jazigos das ilhas. Sem a efêmera corrida ao ouro nas ilhas das Caraíbas (Caribe) e na vizinha 'Tierra Firme' (América Central), o impulso para a conquista territorial do Continente (México) talvez tivesse sido adiado indefinidamente..." (página 86)

6) Imperadores Pré-Colombianos onipotentes e centralizadores:

Incas e Astecas eram governados por imperadores onipotentes, divinos e centralizadores. Tudo girava em torno do Imperador. Com a sua derrubada, tudo em torno dele desmoronava, para proveito dos espanhóis. 

7) Isolamento cultural dos povos Pré-Colombianos:

Não havia informações sobre os espanhóis. Essa falta de informação resultou numa paralisia generalizada, que destruiu a capacidade de resistência dos astecas e dos incas. A chega dos europeus foi vista quase como um fenômeno sobrenatural, para o qual não havia nenhuma oração que poderia resolver. 

Resumo:

"Foi o efeito conjunto destes diferentes fatores que transformou o contato espanhol com as grandes civilizações do interior americano em conquistas fulminantes com custos quase negligenciáveis." (página 89)

TALVEZ QUALQUER DOS GRANDES ESTADOS EURASIÁTICOS TIVESSE CONSEGUIDO UM SUCESSE IGUAL AO DOS ESPANHÓIS NAS AMÉRICAS:

"Talvez qualquer dos grandes Estados eurasiáticos tivesse conseguido um sucesso semelhante: Tamerlão teria acabado rapidamente com Montezuma. A sorte do Ocidente foi a sua posição geográfica - mais próxima da antecâmara caribenha dos Impérios Pré-Colombianos - lhe proporcionou um avanço decisivo na aquisição de novos impérios no Mundo Exterior." (página 89)

O que o autor está querendo dizer é que outros estados da Eurásia, como China, o Império Muçulmano no norte da Índia, o Império Otomano e o Império de Tamerlão, teriam tido o mesmo sucesso que os espanhóis tiveram nas Américas. A sorte da Espanha foi o fato dela estar geograficamente melhor localizada para a expansão ultramarina em direção das Américas. 

Quando o autor fala em "Mundo Exterior", ele se vale de um conceito criado por Halfort Mackinder, para o qual a Eurásia era a "Ilha Mundial". Tudo o que não estivesse compreendido nessa "Ilha Mundial" seria denominado de "Mundo Exterior". O continente americano era esse Mundo Exterior, assim como a Oceania, a África Subsaariana, etc.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "ASCENSÃO E QUEDA DOS IMPÉRIOS GLOBAIS, 1400-2000, DE JOHN DARWIN, EDITORA EDIÇÕES 70

Eurásia A Ilha Mundial Tamerlão Timur



O CENTRO DE GRAVIDADE DA MODERNA HISTÓRIA MUNDIAL:

"O Centro de gravidade da moderna história mundial está na Eurásia - nas relações conturbadas, conflituosas, dependente e íntimas das suas grandes culturas e estados, que se estendiam em linha do Extremo Ocidente europeu ao Extremo Oriente asiático." (página 43)

EURÁSIA, A ILHA MUNDIAL:

O britânico Halford Mackinder criou a expressão "Ilha Mundial" para se referir à Eurásia, o continente que se estende do extremo ocidente (Europa) ao extremo oriente (China). Que se estende do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. O que estava fora dessa Ilha Mundial foi denominado de "Mundo Exterior". Esse mundo exterior era composto pelo continente americano, pela Oceania, pelas ilhas do sudeste asiático e pela África Subsaariana. 

De acordo com Halford Mackinder, quem viesse a controla essa "Ilha Mundial" iria controlar o mundo todo. O país que controlasse a Eurásia a partir de seu centro, valendo-se de uma rede de estradas de ferro, poderia manejar amplos recursos humanos e materiais, podendo dessa forma afastar qualquer rival "....para a orla marítima do mundo - o mundo exterior das Américas, da África Subsaariana, das ilhas do Sudeste Asiático e a Oceania." (página 43)

Essa visão geopolítica de Halford Mackinder desprezava o uso dos oceanos e os mares como forma de dominar o mundo. Para ele, essa fase, que tinha sido dominada pela Grã-Bretanha, fazia parte do passado. Com a invenção das estradas de ferro, o domínio dos mares não era mais uma condição para se dominar o mundo. Para se dominar o mundo, bastaria um país dominar a Eurásia, instalar seu centro de poder na região central dela e, a partir dela, por meio de estradas de ferro, dominar todo o continente e, por consequência, todo o mundo. Essa dominação do mundo por meio da dominação da Eurásia poderia ter se concretizado com um Império Soviético ou por meio de um Império Nazista. 

No passado, o Império Mongol, comandado por Gengis Khan e por seus filhos, conseguiu conquistar grande parte da Eurásia. Seus cavaleiros foram da península coreana à Hungria, chegando à atual Croácia. Passaram pela Polônia. Seus herdeiros dominaram a China, o Irã, a Ucrânia e o Iraque. Príncipes de Moscou eram vassalos dos mongóis. Após a morte de Gengis Khan, seu império foi dividido entre seus filhos. Divisões e conflitos internos implodiram o Império Mongol, que poderia ter dominado o mundo com o seu domínio sobre a Eurásia. 

O ÚLTIMO CONQUISTADOR DA EURÁSIA, TIMUR OU TAMERLÃO:

O último conquistador que tentou submeter todo o mundo por meio da conquista da Eurásia foi Tamerlão (Timur).

Tamerlão nasceu em Chagatai, na Ásia Central, numa confederação tribal turco-mongol, em meados do século XIV. Tamerlão, por meio de guerras e selvageria incessantes, construiu um grande império, tentando emular o império mongol. A construção de seu Império foi possível graças ao domínio sobre as rotas comerciais (Rota da Seda) que interligavam o Extremo Ocidente europeu ao Extremo Ocidente oriental asiático. O centro desse império ficava na cidade de Samarcanda, no atual Turcomenistão. 

Tamerlão saiu de Chagatai para conquistar o Irã, o Iraque, a Armênia, a Geórgia. Derrotou o exército otomano na batalha de Ancara em 1402. Pilhou e saqueou o norte da Índia, destruindo a cidade de Deli. Em 1390, invadiu as terras russas. Em 1400 retornou ao oriente médio, para conquistar Damasco e Alepo (atual Síria).

Tamerlão morreu no ano de 1405, quando preparava uma expedição militar para invadir a China. Sua morte foi seguida pelo desmantelamento de seu Império.  

A morte de Tamerão ainda assinalou a última tentativa de unificar a Eurásia sob um único poder. Seu império via-se ainda cercado pelos mamelucos do Egito e da Síria, pela China, pelos Otomanos na Anatólia e pelo sultanato muçulmano no norte da Índia. 

O Império de Tamerlão foi a última tentativa de contestar a partilha da Eurásia entre os Estados do Extremo Ocidente, a Eurásia Central muçulmana e a Ásia Oriental Confuciana. 

O fracasso de Tamerlão também assinalou uma nova era, na qual o poder começara a transferir-se definitivamente dos impérios nômades para os Estados sedentários. 

A morte de Tamerlão coincidiu com uma mudança radical na economia e na geopolítica dos impérios. Essa mudança foi a descoberta do mar como espaço comum de comércio. As rotas comerciais pelos oceanos e pelos mares diminuíram a importância das rotas comerciais (Rota da Seda) que atravessavam a Ásia Central. Não haveria mais a riqueza comercial que despertou a cobiça de tantos conquistados, dos mongóis a Tamerlão. A riqueza agora estava nas rotas comerciais marítimas, que ligavam todo o planeta. 

"A morte de Tamerlão em 1405 assinala um ponto de viragem na história mundial. Tamerlão foi o último de uma série de conquistadores do mundo na tradição de Átila e Gengis Khan que tentou colocar toda a Eurásia - a Ilha Mundial - sob o domínio de um único e vasto império." (página 17)

"...a ideia de um império mundial governado a partir de Samarcanda tornara-se uma fantasia." (página 28)

DECADÊNCIA DA ÁSIA CENTRAL COMO CENTRO DE PODER MUNDIAL:

A ausência de governos centralizados, a predominância da política tribal e os estragos causados pelas campanhas militares empreendidas por Tamerlão e a descoberta de rotas marítimas, que se tornariam as artérias de grandes impérios marítimos, fizeram o poder passar do centro da Ásia para as regiões do extremo ocidente eurasiático (Espanha, Portugal, França, Grã-Bretanha, Holanda) e para o extremo oriente asiático (exemplo: China). 

"...os danos colaterais que Tamerlão infligiu à Eurásia Central e a influência desproporcionada que as sociedades tribais continuavam a exercer nessa região ajudaram (embora, apenas gradualmente) a fazer pender o equilíbrio de poderes do Velho Mundo para o Extremo Oriente e Extremo Ocidente à custa do centro." (página 28)

O velho mundo era a Ásia Central, a região pela qual a Rota da Seda passava. O extremo ocidente era a Europa e o Extremo Oriente era a China. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "ASCENSÃO E QUEDA DOS IMPÉRIOS GLOBAIS, 1400 - 2000", JOHN DARWIN, EDITORA EDIÇÕES 70



Expansão Marítima de Portugal nos séculos XV e XVI



ALGUMAS DATAS RELEVANTES NA EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA:

1482-1484: Construção da Fortaleza de São Jorge da Mina, atual Elmina, em Gana. Com essa fortaleza, Portugal teve acesso a uma parte do comércio de ouro da África Ocidental. Com o lucro advindo da exploração desse comércio, financiou suas viagens seguintes ao longo da costa ocidental africana.

1488: Navegador português Bartolomeu Dias alcança o Cabo das Tormentas, depois denominado de Cabo da Boa Esperança. 

1498: Navegador português Vasco da Gama chega à Índia, em Calecute, na costa indiana de Malabar.

FATORES QUE AJUDARAM NA EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA:

Navegação ao longo da costa ocidental africana sem oposição:

A sul de Marrocos, "nenhum Estado importante tinha a vontade ou os meios para contestar o uso feito por Portugal das águas costeiras africanas. A maioria dos Estados africanos estava voltada para o interior, encarando o Oceano Atlântico como um deserto aquático..." (página 79)

Financiamento das navegações portuguesas:

Com a construção da fortaleza de São Jorge da Mina, na costa marítima da atual Gana, os portugueses começaram a explorar uma parte do comércio do ouro da África Ocidental. Com esse comércio, os portugueses conseguiram financiar a busca de uma rota marítima para a Índia.

VASCO DA GAMA DESEMBARCA NA ÍNDIA:

Em 1498, o navegador português Vasco da Gama desembarca em Calecute, na costa indiana de Malabar. Agora que Portugal tinha finalmente achado uma rota marítima para a Índia, era necessário achar uma forma de explorá-la da melhor forma possível. Mas Portugal era um país pequeno (território e população pequenas) e sem recursos, de forma que não iria conseguir se impor na rota comercial que havia descoberto.

A FALTA DE RECURSOS DE PORTUGAL IMPEDIU QUE ELE SE TORNASSE UM IMPÉRIO TERRITORIAL E/OU MARÍTIMO:

"...era pouco provável que uns quantos navios portugueses no Oceano Índico conseguissem desviar grande parte do comércio dessas águas para as longas e desertas rotas marítimas à volta da África." (página 80)

Mas mesmo com todas as dificuldades, os portugueses tentaram se impor. Quatro anos depois de Vasco da Gama, uma frota de caravelas, sob o comando de Afonso Albuquerque, começou a estabelecer bases fortificadas para controlar o movimento do comércio marítimo no Oceano Índico. As bases fortificadas foram erigidas em Cochim (1503), Cananor (1505), Goa (1510), Malaca (1511). Ainda na década de 50 do século XVI, Portugal tinha cerca de 50 fortalezas entre Sofala (Moçambique) e Macau no sul da China. 

Apesar desse sucesso inicial, Portugal não se tornou nem um Império Territorial nem um Império Comercial. Os portugueses não tinham o poder, para por exemplo, impor o monopólio da pimenta, uma especiaria muito demandada pela Europa. 

Com efeito, grande parte do comércio de especiarias permaneceu fora do controle de Portugal.

Achar o caminho para a Índia foi um feito, mas não era tudo. Era preciso conseguir o monopólio do comércio que passava pelo Oceano Índico, mas isso demandaria um Poder Naval que Portugal não tinha. 

PORTUGAL PASSA A EXTORQUIR NAVIOS QUE USAVAM O OCEANO ÍNDICO COMO ROTA COMERCIAL:

"O Estado (português) tornou-se então um sistema para extorquir dinheiro em troca de proteção ao comércio marítimo entre o Sudeste Asiático, o ocidente da Índia, o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho." (página 80)

Já que Portugal não tinha força para impor o monopólio, passou a usar suas caravelas para extorquir navios que usavam o Oceano Índico como rota comercial, sob o falso pretexto de protegê-los. 

PORTUGUESES COMO INTERMEDIÁRIOS:

A leste da península malaia, os portugueses não trabalhavam com extorsão. Viraram intermediários no comércio de longa distância envolvendo China, Japão e outras localidades. 

Alguns portugueses ainda ganhavam a vida como empresários independentes. 

"Em Hugli, a norte da atual Calcutá, um comerciante empreendedor conseguiu a autorização do Imperador Mongol Akbar para construir um posto de comércio para enviar artigo de luxo chineses rio acima, para a corte imperial." (página 83).

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "ASCENSÃO E QUEDA DOS IMPÉRIOS GLOBAIS 1400 2000", JOHN DARWIN, EDIÇÕES 70



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Revolução Diplomática de meados de 1750 e a Guerra dos Sete Anos (1756-1763)



DOIS ARQUI-INIMIGOS TORNAM-SE ALIADOS:

Em meados da década de 1750, França da Dinastia Bourbon e a Áustria da Dinastia Habsburgo, deixam para trás anos de antagonismo para se tornarem aliadas. Essa mudança foi denominada de Revolução Diplomática. Era vista na época como uma aliança Anti-Natural. Por meio dela, a França abandonava seus velhos aliados, a Suécia, a Polônia e o Império Otomano, optando por se aliar à Áustria, seu inimigo hereditário.

A aliança entre França e Áustria inverteu mais de dois séculos de inimizade entre a dinastia francesa Bourbon/Valois e a dinastia Habsburgo. Essa aliança foi formalizada por meio do Tratado de Versalhes, assinado no ano de 1756.

Essa mudança ocorreu porque a França passou a temer mais a Grã-Bretanha do que a Áustria. França e Grã-Bretanha disputavam entre si colônias no continente americano e no continente asiático. A França temia que os recursos que a Grã-Bretanha retirava das suas colônias ultramarinas proporcionariam a ela um domínio avassalador sobre o continente europeu. A Áustria, por sua vez, via na ascensão da Prússia, que lhe havia roubado a província da Silésia na Guerra da Sucessão Austríaca de 1740/1745, o maior perigo que enfrentava naquele momento. A Prússia passou a disputar com a Áustria o protagonismo no seio do Sacro Império Romano Germânico. Para a política externa austríaca, era imperioso que a Prússia fosse destruída. Esses antagonismos acabaram redundando na eclosão da Guerra dos Sete Anos.

GUERRA DOS SETE ANOS - DUAS GUERRAS EM UMA:

Prússia e Grã-Bretanha versus França, Áustria, Saxônia, Rússia, Suécia e forças imperiais do Sacro Império Romano Germânico (Reichsexecutionsarmee).

A Guerra dos Sete Anos, de 1756 a 1763, foi na realidade um conflito que envolveu duas guerras distintas:

a) Uma Guerra Alemã:

Os combates ocorreram no interior do Sacro Império Romano Germânico, que corresponde hoje à Alemanha. A Áustria tentava retomar a província da Silésia dos prussianos. Prússia e Áustria ainda disputavam o protagonismo no interior do Sacro Império Romano Germânico, um gigante formando por uma miríade de unidades políticas alemãs pequenas e médias. Áustria e Prússia eram os maiores estados do Sacro Império e disputavam entre si a liderança sobre ele. A Áustria tinha o apoio da Rússia e da França. A Áustria ainda conseguiu que o os pequenos e médios estados alemães votassem a favor a que o Sacro Império Romano Germânico se aliasse a ela. A Prússia, por sua vez, contava apenas com a aliança com a Grã-Bretanha. A Prússia lutava para manter a província da Silésia, conquistada durante a Guerra da Sucessão Austríaca (1740/1745). A França entrou nesse conflito ao lado de sua antiga arqui-inimiga Áustria porque temia a ascensão da Prússia. A segurança francesa sempre dependeu de um Sacro Império Romano Germânico desunido, composto por médios e pequenos estados alemães, que vivessem numa eterna desunião, incapazes de se unirem de forma a criar uma nação alemã coesa e poderosa. A França via na Prússia um agente capaz de unir os alemães num só país, colocando em risco a sua segurança. Era imperioso evitar que os estados alemães que compunham o Sacro Império Romano Germânico se unissem em torno da Prússia. A Rússia, por sua vez, se aliou à Áustria porque temia a ascensão da Prússia.

b) Guerra Colonial entre França e Grã-Bretanha:

Os combates ocorreram nas colônias ultramarinas de ambos os países, notadamente na América do Norte, nos atuais Canadá e EUA. 

DESENROLAR DA GUERRA DOS SETE ANOS:

Frederico II, o Grande, monarca da Prússia, foi informado que uma grande aliança se formava contra ele. A Prússia seria atacada. Frederico II então resolver tomar a iniciativa, começando ele mesmo a guerra, invadindo a Saxônia. Frederico II justificou sua atitude dizendo que "quem se antecipa a um ataque secretamente planejado está talvez empenhado numa guerra, mas não é o agressor." (página 154)

Durante os sete anos do conflito grandes batalhas foram travadas, como em Rossbach, em novembro de 1757, quando uma combinação de soldados franceses e soldados imperiais alemães foi derrotada pela Prússia. 

Nas colônias ultramarinas, os ingleses batiam sem dó nos franceses. Quebec, no Canadá francês, foi capturada pelos ingleses em 1759. Ainda nesse ano, a ilha francesa de Guadalupe, no caribe, foi conquistada pelos ingleses. Montreal foi conquistada pelos ingleses em 1760. Mesmo com os espanhóis se aliando aos franceses, os ingleses continuavam obtendo vitórias. No ano de 1762, Manila e Havana, que pertenciam à Espanha, foram conquistadas pelos ingleses. 

Enquanto os ingleses surravam franceses e espanhóis nas colônias americanas e asiáticas, os prussianos sofriam nas mãos dos austríacos e dos russos. O exército prussiano foi derrotado em Zorndorf (1758) e em Kunesdorf (1759). A situação era tão desesperadora para a Prússia que Frederico II pensou em se suicidar. Somente um milagre poderia salvar a Prússia. E esse milagre veio, com a morte da Czarina Isabel da Rússia. Ascendeu ao trono russo Pedro III, um prussianófilo, que era admirador da Prússia e de Frederico II. Pedro III desfez sua aliança com a Áustria. O milagre tinha acontecido. A Prússia estava salva. Com a saída da Rússia, a Guerra dos Sete Anos caminhava para o seu fim.

FIM DA GUERRA DOS SETE ANOS:

Acabou no ano de 1763. Naquele momento, a Grã-Bretanha estava em alta, ao lado da Prússia e da Rússia. França e Áustria estava com viés de baixa. França teve que ceder o Canadá à Grã-Bretanha, mantendo apenas uma pequena posição na ilha de Saint-Pierre e Miquelon. A França ainda perdeu Senegal e uma série de ilhas no Caribe, mas conseguiu manter Saint-Domingue, atual Haiti, que naquela época era uma das maiores produtoras de açúcar do mundo. A Prússia manteve a Silésia em seu poder. A Espanha recuperou Havana (Cuba) e Manila (Filipinas). 

Como dissemos acima, a Guerra dos Sete Anos compreendia dois conflitos, a Guerra Alemã e a Guerra Colonial entre França e Grã-Bretanha. 

A primeira foi encerrada por meio do Tratado de Hubertusburgo, enquanto que a segunda foi encerrada pelo Tratado de Paris.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "EUROPA, A LUTA PELA SUPREMACIA, DE 1453 AOS NOSSOS DIAS, DE BRENDAN SIMMS, EDITORA EDIÇÕES 70



Tratado de Verdun 843 e as Fronteiras entre Alemanha e França



 TRATADO DE VERDUN:



Tratado de Verdun de 843 (século IX) pôs fim ao Império Carolíngio. Com a morte de Luís, o Piedoso, o Império Carolíngio foi dividido entre seus filhos Carlos, Luís e Lotário. 

Essa divisão territorial não tinha nenhuma conotação de ordem nacional. Embora a divisão de 843 trouxesse, de forma embrionária, as configurações territoriais daquilo que no futuro seriam os territórios da Alemanha (Francônia Oriental) e da França (Francônia Ocidental), ambas separadas por uma área central, a Lotaríngia, "...não existiam quaisquer motivos nacionais decisivos nesse processo: pretendia-se tão-só que os três irmãos com direito de sucessão - Carlos, Lotário e Luís (com o cognome não histórico, de o Germânico) - recebessem partes iguais e o mais velho - Lotário - ficasse com as duas residências imperiais de Aachen (Aix La Chapelle) e Roma." (página 36)

Enfim, no ano de 843, embora embrionariamente, o contexto para futuros conflitos entre Alemanha e França estivesse posto, ninguém pensava em termos nacionais, não havia uma consciência nacional alemã, tampouco havia uma consciência nacional francesa. 

"...a fronteira entre a Francônia Ocidental e o Reino Central (Lotaríngia) estabelecida no Tratado de Verdun (843) passou a constituir a fronteira duradoura (ou, melhor: o espaço fronteiriço) entre a Alemanha e a França, a partir de 925." (página 40)

Estava se colocando em prática tão-somente o direito de sangue vigente, pelo qual cada um dos filhos de Luís, o Piedoso, tinha o direito de sucedê-lo, Eram três os filhos de Luís, de forma que cada um deles ficou com um pedaço do Império Carolíngio. 

TRATADOS DE MEERSEN (870) E RIBEMONT (880):

Após o Tratado de Verdun, outros foram feitos para um rearranjo territorial. Os Tratados de Meersen e Ribemont trataram da parte setentrional do Reino Central (Lotaríngia), pelos quais os territórios da Alsácia e da Lorena foram transferidos para a Francônia Oriental. 

"...as regiões setentrionais do reino central - a Lorena e a Alsácia - não se juntaram à Francônia Oriental  em 870 e 880 e tão-pouco foram conquistadas pela Francônia Oriental. Tratava-se de divisões dinásticas dentro de um império, divisões essas que prepararam, no entanto, um estabelecimento de fronteiras entre a França e a Alemanha que viria a revelar-se muito importante do ponto de vista histórico." (página 37)

No futuro, Alemanha e França entrariam em guerra (Primeira Guerra Mundial 1914-1918, Segunda Guerra Mundial1939-1945, Guerra Franco-Prussiana em 1871, etc) justamente pela disputa dessas fronteiras que, originalmente, foram criadas no ano de 843, no longínquo século IX.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "HISTÓRIA ALEMÃ, DO SÉCULO VI AOS NOSSOS DIAS", VÁRIOS AUTORES, EDITORA EDIÇÕES 70



Surgimento da Alemanha


 

SURGIMENTO DO REINO ALEMÃO:

Há uma convicção bastante generalizada segundo a qual "...o surgimento de um <<reino alemão>> se teria processado, por assim dizer, em três passos: separação da Francônia Oriental - fim dos carolíngios - primeiro rei não pertencente à tribo dos francos." (página 39)

a) Primeiro rei não pertencente à tribo dos francos: 

Estamos falando da eleição de Henrique I (919-939 século X), duque da Saxônia, da casa dos Luidolfings. 

b) Fim dos Carolíngios: 

No ano de 888 (século IX), morre Carlos, o Gordo, o último soberano de todo o Império Carolíngio. Já na Francônia Oriental, a morte de Luís, a Criança (911), representou o desaparecimento do último representante da dinastia carolíngia. 

c) Separação da Francônia Oriental:

Pelo Tratado de Bona, de 921, Carlos III, soberano da Francônia Ocidental, reconheceu o governo de Henrique I na Francônia Oriental.

CRITÍCA: 

A convicção generalizada acima exposta, sobre o surgimento do reino alemão, é contestada pelo autor Ulf Dirlmeier nos seguintes termos: 

"Estas objeções prendem-se com o significado da palavra <<alemão>> (= língua alemã), a falta de uma consciência nacional alemã e as fortes linhas de continuidade com o período franco carolíngio. [...] Portanto, podemos continuar a considerar que o governo da Casa da Saxônia constitui o início da história alemã - com as devidas limitações e tomando-o como referência carolíngia." (página 39)


ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "HISTÓRIA ALEMÃ, DO SÉCULO VI AOS NOSSOS DIAS, VÁRIOS AUTORES, EDITORA EDIÇÕES 70



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Alexandre Dumas, o General negro de Napoleão Bonaparte e pai de um grande escritor francês





ALEXANDRE DUMAS PAI: 

Alexandre Dumas ouThomas Alexandre Davy de La Pailetterie, foi um homem negro, filho de um nobre francês, Antoine Davy, Marquês de La Pailleterie e de uma escrava, Marie Cossette Dumas. Nasceu na localidade de Jérémie, na ilha de Saint Domingue, atual Haiti, em meados do século XVIII. 

Saint Domingue era uma colônia francesa cuja principal atividade consistia na produção de açúcar, cujo comércio gerava tanta riqueza quanto o comércio de petróleo nos dias de hoje.

"O plantio da cana-de-açúcar era o comércio petrolífero do século XVIII e Saint Domingue era a fronteira do velho oeste para o Ancien Régime, onde filhos de famílias empobrecidas podiam fazer fortuna." (página 40)

"Hoje, o mundo tem tal abundância de açúcar - é um gênero tão básico da dieta moderna, associado a tudo o que é ordinário e prejudicial à saúde - que é difícil acreditar que as coisas foram exatamente o oposto. As Índias Ocidentais foram colonizadas num mundo no qual o açúcar era visto como um artigo escasso, luxuoso e altamente salutar." (página 40)

O pai de Alexandre Dumas ou Thomas Alexandre Davy de La Pailetterie, o nobre francês Antoine Davy, Marquês de La Pailleterie, teve uma vida conturbada. Serviu no exército francês durante a guerra da sucessão polonesa, depois tentou fazer riqueza na ilha de Saint Domingue. Ali tentou trabalhar ao lado de seu irmão Charles, proprietário de um engenho de açúcar. Saiu tudo errado para ele, brigou com o irmão, fugiu levando consigo três escravos do irmão, embrenhando-se nas matas de Saint Domingue. Chegou a mudar seu nome para Antoine Alexandre D'isle. Tentou a vida como um pequeno proprietário na localidade de Jérémie. Teve filhos com uma escrava, Marie Cossette Dumas. Passado algum tempo, com seus pais e irmão já mortos, retornou à França, voltando a usar seu nome Antoine Davy e reivindicando seu título de Marquês e as propriedades de sua família. Trouxe consigo apenas um de seus filhos, Thomas Alexandre/Alexandre Dumas.

Seguindo seu pai, Alexandre Dumas chegou à França em agosto de 1776, Nessa época ele ainda se chamava Thomas Alexandre Davy de La Pailleterie. Ao entrar no exército, no ano de 1786, adotou o nome de Alexandre Dumas, em homenagem à sua mãe negra e escrava, Marie Cossette Dumas. 

Como dissemos, Alexandre alistou-se no exército no ano de 1786. Sua ascensão, apesar da cor de sua pele, foi meteórica. Começou como um simples soldado num Regimento de Dragões, ainda sob o governo de Luís XVI.  Graças ao seu mérito, após a Revolução Francesa de 1789, virou General, estando sob o comando de Napoleão Bonaparte, e teve muitos homens sob o seu comando. 

"um homem negro num mundo de brancos no fim do século XVIII" (página 22)

Como explicar esse homem, filho de um nobre francês com uma escrava negra, fazendo sucesso na sociedade francesa de final do século XVIII? 

Esse fenômeno poderia atribuído ao movimento francês a favor dos direitos civis, aliás, o primeiro do mundo, ocorrido a partir de 1750, que batia de frente com aqueles setores que defendiam a escravidão, notadamente o lobby açucareiro e colonialista, que via na mão de obra escrava um instrumento indispensável para a economia da época. Mesmo com a força do lobby açucareiro/colonialista, escravos das colônias que eram levados para a metrópole francesa acabavam, em alguns casos, obtendo sua liberdade por meio de processos judiciais.

"Ao contrário do sistema legal moderno da França, baseado no Código Napoleônico, o sistema do Ancien Régime (Antigo Regime) se apoiava fortemente na questão do precedente: a França era governada por máximas destiladas por advogados examinando documentos com centenas de anos. Ausente um corpo legislativo como o Parlamento inglês, esses tribunais (Parlements) superiores franceses não só interpretavam a lei, eles a escreviam." (página 81)

Os Parlaments eram órgãos judiciais que interpretavam os costumes franceses antigos, emitindo decisões com força de lei. Juristas usaram esses Parlements para conseguir estabelecer que a França era a Terra da Liberdade, conceito extraído da fundação do país.

E essas leis adotadas por esses Tribunais (Parlements) consagravam o princípio da liberdade, segundo o qual "....ninguém devia ser mantido em servidão involuntária em solo francês. A ideia de aplicar esse conceito à condição de escravo desembarcando em portos franceses começou no fim do século XVI." (página 83)

Aceitava-se então que houvesse escravos nas colônias francesas, como na ilha de Saint Domingue, mas não se aceitava que houvesse escravidão na metrópole, na França. Dizia-se que os Francos, que dominaram o território francês após a queda do Império Romano, etimologicamente tinham seu nome relacionado à liberdade: franc = livre. Dizia-se ainda que a França, por ser o primeiro país cristão da Europa, não poderia aceitar que em seu território houvesse escravidão. 

CASAMENTO DE ALEXANDRE DUMAS:

Alexandre Dumas casa-se com Marie Louise Labouret, uma mulher branca, filha de um burguês, um estalajadeiro de Villers-Cotterêts. Um dos filhos do casal adotaria o nome do pai, Alexandre Dumas, e sob esse nome tornar-se-ia um famoso escritor francês do século XVIII, autor dos livros Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo. 

ALEXANDRE DUMAS FILHO:

Foi um famoso escritor francês no século XIX, autor de obras de sucesso, como por exemplo o Conde de Monte Cristo e os Três Mosqueteiros. 

O pai, do qual pegou o nome, foi um grande general. Da mesma forma como seu pai foi vítima de preconceito racial, Alexandre Dumas viu sua obra literária ser atacada por contemporâneos por causa da cor de sua pele.  

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "CONDE NEGRO", GLÓRIA, REVOLUÇÃO, TRAIÇÃO E O VERDADEIRO CONDE DE MONTE CRISTO, DE TOM REISS, EDITORA OBJETIVA

Servidão no Império Carolíngio



SERVIDÃO:

Era uma forma de dependência especificamente medieval. Não confundir com a escravidão dos negros nas plantations dos séculos XVII a XIX. 

De fato, para quem era livre quando da adoção da servidão, ela representou uma perda de liberdade. Contudo, para os 'servi' e 'mancipio', que antes eram submetidos a um trabalho forçado, numa posição semelhante à dos escravos negros, a servidão significava uma ascensão à situação de semiliberdade. (página 24)

SERVIDÃO SIGNIFICAVA MAIS DEPENDÊNCIA ENTRE AS PESSOAS:

Com a adoção da servidão, o vínculo pessoais aumentavam, assim como a dependência entre as pessoas que participavam desse arranjo social, característico da época carolíngia, com o regime senhorial franco abrangendo o centro de seu território entre os rios Loire e Reno. 

A servidão foi a forma de organização social predominante nos séculos VI, VII, VIII.

"A massa da população rural, constituída por cada vez mais servos, foi dominada pela elite pouco numerosa dos nobres."(página 24)

Esses nobres eram oriundos da nobreza imperial franca, do século VI, aos quais vieram se juntar nos séculos VII e VIII os seguidores dos carolíngios que ascendiam de status, por meio da prestação de valoroso serviço militar. Nas inúmeras guerras nos séculos VI, VII e VIII, o senhor da guerra buscava aumentar seu exército por meio da concessão de terras para os guerreiros que lutavam ao seu lado. 

"Esta prática constituiu o requisito, a longo prazo, para o sistema feudal medieval." (página 28)

O SUCESSO NA GUERRA ERA O QUE UNIA O SENHOR E SEUS VASSALOS:

O sucesso vinha da guerra. Para que uma pessoa nessa época pudesse angariar poder, alcançando uma posição de destaque, tornando-se um rei/senhor entre os seus, teria que ser vitorioso no campo de batalha, destruindo os inimigos externos, proporcionando segurança aos seus servos e terras para quem lutasse ao seu lado. Esse rei tinha que manter afastadas as ameaças externas, com a ajuda de seus nobres, que eram recompensados com terras. Essa sociedade medieval dividia-se entre:

a) aqueles que lutavam em guerras para manter a segurança de todos (rei, nobres)

b) aqueles que trabalhavam, os camponeses, os servos

c) os padres, que rezavam por todos.

JUSTIFICATIVA PARA A EXISTÊNCIA DA ARISTOCRACIA/NOBREZA:

Aos nobres/aristocratas/reis incumbia a defesa contra ameaças externas. Eles deveriam fornecer a segurança. E era justamente isso que justificava a existência dessa classe social que não trabalhava, vivendo do trabalho de outras pessoas, os servos. Os servos, por sua vez, indefesos que eram, buscavam nos seus senhores a segurança em tempos de guerra. Um fornecia segurança, enquanto o outro fornecia trabalho.

Se algo desse errado nessa equação, como por exemplo, se o rei e seus nobres não conseguissem mais afastar ameaças externas, o reino poderia colapsar. E foi justamente isso que acabou acontecendo com o Império Carolíngio. No final do século IX, os governantes carolíngios não conseguiam mais enfrentar as ameaças externas representadas pela invasões de normandos e sarracenos. 

"As próprias zonas centrais do império deixaram de ser seguras. A incapacidade do poder central para garantir uma proteção eficaz diminuía a sua reputação e favorecia a ascensão de poderes regionais." (página 29)

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "HISTÓRIA ALEMÃ, DO SÉCULO VI AOS NOSSOS DIAS", VÁRIOS AUTORES, EDITORA EDIÇÕES 70



Carlos Magno foi o primeiro Imperador Alemão?



CARLOS MAGNO FOI O PRIMEIRO IMPERADOR ALEMÃO?:

Estaria correto afirmar que Carlos Magno foi o primeiro imperador alemão? 

Resposta (página 36): Chamar Carlos Magno de primeiro Imperador Alemão é uma simplificação que impede a verdadeira compreensão da história medieval alemã.

É óbvio que o Império Carolíngio de Carlos Magno não era a mesma coisa que o Império alemão. Não eram a mesma coisa. Eram coisas distintas. Ao mesmo tempo, tanto a Alemanha como a França têm origem no império erigido por Carlos Magno, durante a Idade Média Arcaica (séculos VI a IX).

Além do mais, não há sequer uma data que possa ser utilizada para dizer que exatamente aqui a Alemanha surgiu.

A Alemanha surgiu na esteira de um processo prolongado, representado pela mudança do Império Carolíngio até chegar à Alemanha medieval. Alguns dizem que o início desse processo se deu no ano de 843, quando da celebração do Tratado de Verdun. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "HISTÓRIA ALEMÃ, DO SÉCULO VI AOS NOSSOS DIAS", VÁRIOS AUTORES, EDITORA EDIÇÕES 70