quinta-feira, 5 de maio de 2022

Os Homens do Fim do Mundo Os criadores das Armas de Destruição em Massa Bomba Atômica



EXTINÇÃO DO SER HUMANO:

O ser humano é a única espécie que pode produzir a sua própria extinção. Esse feito só foi possível graças à engenhosidade dos cientistas que, conseguindo liberar a energia do átomo, conseguiram produzir armas de destruição em massa.

Mas antes das armas atômicas, outras armas postularam a posição de destruidoras em massa da espécie humana.

a) Armas Químicas: A primeira arma de destruição em massa foi o gás venenoso criado pelo alemão Fritz Haber. Ela então foi utilizada pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial, na batalha de Ypres, em 1915.

b) Armas Biológicas: A segunda arma de destruição em massa foi a biológica. Ela utilizava vírus e bactérias. Ela começou a ser estudada na década de 30 do século XX, por um cientista japonês, Shiro Ishii. 

c) Energia do átomo: Por fim, a arma de destruição em massa mais famosa foi a bomba atômica. Um húngaro, radicado nos EUA, Leo Szilard, descobriu a maneira de liberar a energia do átomo, o que deu início à corrida pela obtenção de uma bomba atômica. 

"Leo Szilard foi o primeiro a descobrir, em 1933, a maneira de liberar as poderosas forças que atuam no coração de todos os átomos. A ideia lhe ocorreu como um estalo, quando ele atravessava uma rua perto de Russel Square, Bloomsbury, Londres. O ponto crucial estava em lograr uma reação em cadeia de nêutrons, para causar um efeito dominó que se expandisse pela matéria e liberasse um número cada vez maior de nêutrons. Fora de controle, ela produzia a maior explosão conhecida pelo homem. Sob controle, proporcionaria ao mundo um suprimento ilimitado de energia barata." (página 28)

Szilard foi além, teorizando sobre uma arma atômica que pudesse, sozinha, acabar com a vida na Terra. Esta arma do fim do mundo seria a Bomba de Cobalto (Bomba C). Essa arma seria originalmente uma Bomba de Hidrogênio, uma Bomba H, mas que, depois de envolta em Cobalto, que absorve radiação, causaria, após a sua detonação, uma nuvem de poeira radioativa, que uma vez precipitada sobre a superfície da Terra, causaria a extinção da vida tal qual como a conhecemos. 

O ÁTOMO:

"A história do átomo começa no século V a.C. Os filósofos gregos Leucipo e Demócrito acreditavam que a matéria era formada por átomos imutáveis e indestrutíveis, que constituíam as menores unidades do mundo físico. A palavra átomo vem do grego 'atomo', que significa indivisível. Em 1808, John Dalton, um quaker de Manchester, reviveu o atomicismo, que se tornou, graças a ele, um instrumento poderoso da ciência, dominante do século XIX, a química."(página 57)

Foi Dalton que propôs que os elementos podiam diferenciar-se uns dos outros pelos pesos relativos de seus átomos.

No final do século XIX e início do século XX, a ideia do átomo como indivisível caiu por terra. O átomos podia ser dividido. E dessa divisão poderia ser extraída energia. No século XX, essa energia resultaria na fabricação de bombas atômicas e em Usinas Nucleares para a produção de energia elétrica.

A ENERGIA ESCONDIDA NA MATÉRIA:

O primeiro cientista a vislumbrar a energia que estava escondida na matéria foi o francês Henri Becquerel, em 1896. O elemento químico que permitiu essa descoberta foi o Urânio. Becquerel descobriu uma energia que vinha do Urânio. Uma aluna de Henri Becquerel, Marie Curie, decide investigar essa energia vinda do Urânio. Trabalhando com o Urânio, Curie obtém outro elemento químico, o Rádio. Mas para entender de onde vinha essa energia do Urânio e do Rádio, era necessário estudar o átomo.

O coração do átomo é o seu núcleo, composto por nêutrons e prótons, que estão firmemente ligados. Eles permanecem fixo, imutáveis dentro do núcleo. E o número de prótons dentro do núcleo é que define o elemento químico. Um átomo com um próton em seu núcleo é o elemento químico Hidrogênio. O elemento químico Hélio tem em seu núcleo dois prótons e dois nêutrons. O ouro tem 79 prótons. Agora, o que nos interessa aqui, o núcleo do Urânio, tem 92 prótons e, geralmente, 146 nêutrons. É o maior núcleo da Terra. Ele é tão grande que expele pedaços de si mesmo. E esses pedaços expelidos são a Radiação. Assim, quando o núcleo do átomo de Urânio expele pedaços de si mesmo, na forma de radiação, ele está perdendo prótons, de forma que ele não terá mais os 92 que originalmente o compunham. E isso significa que ele não é mais Urânio, pois o núcleo do átomo do Urânio tem 92 prótons. Passamos a ter então um elemento químico diverso daquele Urânio com o qual estávamos lidando. Estamos diante da transmutação. Um elemento químico, o Urânio, ao expelir prótons de seu núcleo, transforma-se num novo elemento químico. 

a) Transmutação: 

O Urânio, quando expele, exala radiação e energia, mudando sua estrutura atômica, transforma-se em Tório, um elemento químico diverso do Urânio. O Tório também é radioativo, ele libera radiação e se transforma em Protactinio, um novo elemento químico, diverso do Urânio e do Tório. Então aparece o elemento descoberto por Marie Curie, o Rádio. O Rádio decai e temos agora um novo elemento químico, o Radônio, que é um gás. Na sequência, temos o Polônio, que já não é um gás. Enfim, o Urânio dá origens a 14 elementos químicos. O último é o chumbo. O chumbo não é radioativo, não decaindo, isto é, não se transformando em outro elemento químico. 

Toda vez, portanto, que um átomo de Urânio altera sua estrutura atômica, por meio de sua divisão, ele perde um pouco de sua massa, liberando energia. E essa energia poderá ser usada numa bomba atômica ou pacificamente, numa Usina Nuclear, para produzir energia elétrica para residências e indústrias. 

b) Reação em Cadeia:

Como vimos, o Urânio muda naturalmente sua estrutura atômica. Mas poderia o ser humano forçar essa mudança? Otto Hahn, um cientista alemão, descobriu que sim. Otto Hahn conseguiu dividir o núcleo do átomo de Urânio, que tem 92 prótons e 143 nêutrons. Somados, tem a massa atômica 235, razão pela qual é chamado Urânio 235. A força que mantém esse núcleo unido é a maior força do universo. Esse núcleo é tão grande e encontra-se em tal estado de tensão e instabilidade que, se for adicionado nele mais um nêutron, sua instabilidade aumentará ainda mais, de forma que o núcleo colapsa, sofrendo então uma divisão, uma fissão. Aquele núcleo original então se transforma em dois outros núcleos, com massa menor, sendo que essa perda de massa resultou na produção de energia. Essa divisão, além de produzir energia e dois novos núcleos de massa menor, ainda produz de dois a três nêutrons. E é aqui que a ideia de Leo Szilard, da reação em cadeia, se encaixa, porque esses dois ou três nêutrons liberados irão atingir outros núcleos de Urânio 235, que também irão sofrer uma divisão (fissão), liberando então mais energia e mais nêutrons. 

Dessa forma, um núcleo de Urânio pode se dividir em 2, que irão se dividir em 4, em 8, em 16 e assim por diante, numa reação em cadeia.

Fonte para o tópico "Energia escondida na matéria."

PBS: Uranium - Twisting the Dragon's Tail



A CIÊNCIA COMO SALVADORA DO MUNDO E COMO CAUSADORA DE SEU FIM:

Num primeiro momento, no início final do século XIX e início do século XX, a ciência foi vista como o instrumento para criar um mundo melhor para todos. Por exemplo, a manipulação do átomo, de forma a extrair a energia contida nele, possibilitou a criação do Raio-X, em 1895, que ajudou no desenvolvimento da medicina. 

A história do Raio-X:

Curiosamente, o criador do Raio-X, o alemão Wilhelm Conrad Rontgen, que trabalhava na Universidade alemã de Wurzburg, não sabia de onde provinha o Raio-X. Numa entrevista, ele respondeu às perguntas de um repórter da seguinte forma:

Seria Luz? Rontgen respondeu que não. Seria eletricidade? Rontgen respondeu que não nas formas que a conhecemos. Por fim, Rontgen respondeu que não sabia de onde provinha o Raio-X.

"As radiações eletromagnéticas de alta energia, como os raios-x, podem soltar elétrons dos átomos. Em consequência, os átomos passam a conter carga elétrica, em um processo conhecido como ionização. Os átomos ionizados podem ser muito instáveis." (página 68)

Na época não se sabia disso, de forma que as pessoas eram expostas aos raios-x sem proteção. Muita gente acabou morrendo por causa disso ou ficando gravemente doente. 

Clima de Otimismo com a ciência:

Nesse clima inicial de otimismo, cogitou-se até que a criação de uma arma de destruição em massa poderia acabar com todas as guerras. Essa utopia científica era exemplificada pelo surgimento de um mago científico que, a partir de seu laboratório, surgiria com uma arma tão terrível, tão devastadora, que nenhum país poderia confrontá-lo militarmente. Esse cientista então obrigaria os exércitos do mundo a desarmar-se. Assim, a figura do cientista-salvador e a sua superarma libertariam o mundo de séculos de guerras. (página 17)

FIM DAS UTOPIAS CIENTÍFICAS:

Em meados do século XX, com o início da Guerra Fria entre a União Soviética e os EUA, e com as explosões de bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, essa idealização da ciência e dos cientistas caiu por terra. A corrida atômica entre EUA e União Soviética colocou o mundo de sobressalto. Todos agora esperavam pelo fim do mundo, pelo apocalipse. Os cientistas então passaram a ser vistos como aqueles que iriam destruir o mundo. Essa nova ideia foi exemplificada pelo filme de Stanley Kubrick, "Doutor Fantástico" (Dr. Strangelove), que traz a figura de um cientista criador de uma arma que acabaria com a vida na Terra. https://www.youtube.com/watch?v=L2VN0TpIOPI

INÍCIO DA INVENÇÃO DA BOMBA ATÔMICA:

O primeiro reator nuclear, que iria produzir o material para a confecção das bombas atômicas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki, foi construído na Universidade de Chicago. Em dezembro de 1942, o primeiro experimento desse reator nuclear foi realizado com sucesso. Nesse reator, embrião das Usinas Nucleares modernas, o núcleo de um átomo sofreu um processo de divisão (fissão), resultando na alteração da sua massa e na liberação de energia. 

O SONHO DOS ALQUIMISTAS DA ANTIGUIDADE E DA IDADE MÉDIA REALIZADO:

Como já visto acima, sim, os elementos químicos, tanto na natureza quanto em um laboratório, podem transmutar-se. O plutônio, elemento químico de número 94 na Tabela Periódica, foi descoberto num laboratório, da Universidade da Califórnia, em 1941, pelo químico americano Glenn Seaborg, "que bombardeou urânio com dêuteron (núcleos de átomos de hidrogênio pesado) e separou laboriosamente os elementos transmutados que resultavam do bombardeio." (página 53)

Seaborg comentou sobre a dificuldade, após esse experimento, juntar o elemento químico plutônio, resultante do bombardeamento do urânio com dêuteron:

"Em determinada ocasião, tínhamos apenas 5 átomos de dispúnhamos de umas poucas horas para fazer uma identificação positiva por meio de análises químicas. A dificuldade pode ser percebida quando se verifica que a tinta do pingo no "i" que aparece nessa página que você está lendo contém algo como 1 bilhão de átomos." (página 53)

Depois de todo o experimento realizado, Seaborg e um assistente seu tiveram que trabalhar arduamente para juntarem somente meio micrograma de plutônio. 

Glenn Seaborg foi premiado pelo seu trabalho. Foi trabalhar no Projeto Manhattan, responsável pela construção das bombas atômicas americanas. O elemento químico descoberto por Seaborg, o plutônio, foi utilizado na confecção de bomba atômica Fat Man (O Gordo), que seria jogada em Nagasaki. 

Como dito anteriormente, depois de realizar seu experimento de bombardeamento do urânio com dêuteron, para obter o elemento químico Plutônio, Seaborg e um assistente trabalharam arduamente para juntarem somente meio micrograma de Plutônio.

Já a bomba atômica da Nagasaki continha 6 quilos de plutônio, o que dá uma medida da quantidade de trabalho que os americanos tiveram que empregar para conseguir, num período curto de tempo, produzir material suficiente para armar uma bomba atômica. Somente um país como os EUA, com todos os seus recursos financeiros, tecnológicos, naturais e humanos poderia dar cabo de uma empreitada dessa magnitude em tão pouco tempo.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "OS HOMENS DO FIM DO MUNDO, O VERDADEIRO DR FANTÁSTICO E O SONHO DA ARMA TOTAL" P. D. SMITH, EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS.

Fatos que antecederam a Batalha das Ardenas



A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL DEVERIA TER TERMINADO EM DEZEMBRO DE 1944:

Nos meses de agosto e setembro de 1944, imperava um clima de otimismo entre os aliados. Depois de dificuldades enfrentadas durante o Dia D, os aliados tinham conseguido avançar pela Bélgica e para Paris. 

Em 24 de agosto, os aliados libertaram Paris. Em setembro, os aliados libertaram a capital da Bélgica, Bruxelas.

Antes disso, em julho de 1944, um atentado contra Hitler, na sua Toca do Lobo, na Prússia Oriental, tinha criado entre os aliados o pensamento de que a Alemanha Nazista estava desmoronando, estava se desintegrando, assim como acontecera em setembro e outubro de 1918, quando o Império Alemão se viu confrontado por revoltas internas, capitaneadas por trabalhadores e militares, que levaram ao armistício de novembro de 1918.

Aliados Alemães, como Romênia, Bulgária e Finlândia começavam a abandonar o Terceiro Reich. Os soviéticos, depois de derrotarem o Grupo de Exércitos Centro, correram para o Vístula e para a fronteira da Prússia Oriental.

Enfim, todos esses acontecimentos criaram na mente dos aliados o sentimento de que a guerra iria terminar em dezembro de 1944. Esse era o sentimento entre os ingleses e os americanos. Estes últimos chegaram a cancelar a compra de armamentos, como artilharia. O pensamento americano agora voltava-se para a guerra no Pacífico, contra o Japão. Os ingleses, por sua vez, davam como certo que a guerra terminaria no natal de 1944.

APESAR DO OTIMISMO, NEM TUDO ERAM FLORES ENTRE OS ALIADOS:

Apesar do otimismo, havia problemas para os aliados. O principal deles dizia respeito ao abastecimento. Os aliados precisavam de um grande porto, pelo qual pudessem escoar todo o material militar desembarcado, além de combustível e rações para as tropas. Os portos de Dunquerque e Calai tinham sido destruídos pelos alemães. O porto de Antuérpia, no estuário do Escalda, na Bélgica, ainda contava com tropas alemãs que impediam o seu uso. Outro problema era que o sistema ferroviário francês tinha sofrido com os bombardeios aliados antes da invasão do Dia D. Sem o acesso aos trens, os aliados tinham que usar caminhões. Foram quase nove mil caminhões, que faziam viagens diárias entre o litoral francês e o front. Somente a riqueza econômica americana seria capaz de arcar com o uso de tantos caminhões e com o combustível usado para fazê-los rodar.

RUSGAS ENTRE OS ALIADOS:

Nesse final da Guerra, os ingleses começavam a se sentir preteridos. No começo, foram os ingleses que, praticamente sozinhos, seguraram Hitler. Agora, em agosto/setembro de 1944, o então protagonismo inglês foi deixado de lado. Os protagonistas agora eram os EUA que, com a sua riqueza em homens, combustíveis, materiais bélicos e alimentos, comandavam as ações contra os alemães. Isso gerou ciúmes entre os ingleses. 

Em meio a tudo isso, encontrava-se o General Dwight Eisenhower, o líder dos Aliados na invasão à França. Eisenhower teve que administrar, por exemplo, o ego do General inglês Montgomery, que pretendia ser a principal figura na ação militar que desencadeasse a derrota final da Alemanha. Mas Eisenhower tinha que lidar também com generais americanos, como Bradley e Patton. Desses dois, Patton tinha sido aquele que mais sucesso obteve, avançando de forma contundente pelo centro do território francês. 

TÁTICAS DIVERGENTES:

Os aliados tinham visões diferente de como dar a estocada final nos alemães. Pelo lado dos ingleses, o general Montgomery pretendia desferir o golpe final indo pelo litoral do Mar do Norte, atravessando então o Rio Reno e chegando no Ruhr, a região alemã rica em carvão, responsável pela sua produção bélica. Já os americanos pretendiam seguir para a região alemã do Saar. Em meio a essas divergências, Dwight Eisenhower, como comandante máximo das forças aliadas, tinha que decidir qual caminho seguir. 

OPERAÇÃO MARKET GARDEN:

Planejada pelos ingleses, pelo General Montgomery, ela seguia o plano de invadir a Alemanha seguindo pelo norte, passando pela Holanda, na cidade de Arnhem, atravessando então o Rio Reno e indo depois para a região do Ruhr. A operação contava com forças aerotransportadas. Montgomery acreditava que os alemães, que defendiam a região em torno de Arnhem, estavam desmotivados e sem força para responder a um ataque. No fim, a Operação Market Garden foi um retumbante fracasso. 

A CAMPANHA DE OUTUBRO DE 1944:

A Batalha de Aachen - 14/10/1944: Aachen, cidade alemã situada logo depois da fronteira holandesa. Capturá-la significava romper a linha de defesana fronteira ocidental do Reich alemão, chamada de Siegfried ou de Westwall. Aachen foi a cidade de Carlos Magno, então a capital do Sacro Império Romano Germânico. Chamada de Aix-La-Chapelle pelos franceses e Aquisgrano pelos romanos. Agora, em outubro de 1944, era apenas uma cidade que deveria ser conquistada pelos Aliados em sua marcha para alcançar o Rio Reno. Em 21 de outubro, Aachem se rendeu aos alemães. O Rio Reno agora estava a uma distância de 30 km. Parecia fácil percorrer esses 30 km, mas havia um obstáculo formidável pela frente, a Floresta de Hurtgen. 

A BATALHA NA FLORESTA DE HURTGEN:

Localizada a sudeste de Aachen, a floresta de Hurtgen seria um obstáculo terrível para os americanos. O 1º Exército americano, sob o comando do Tenente General Courtney H. Hodges, teria que atravessá-la para atingir o Rio Reno. Havia outra opção, mas o Tenente General Hodges insistiu nela e nenhum de seus subordinados ousava desafiá-lo. Lutar numa floresta colocava em desvantagem a superioridade americana em número de carros blindados. O apoio aéreo também ficava prejudicado. 

A batalha em meio aos Pinhais que formavam a Floresta de Hurtgen foi feita sob um constante fogo de artilharia, de ambos os lados. 

A artilharia disparava deliberadamente para que os projéteis explodissem no topo das árvores. O resultado disso era uma chuva de estilhaços da bomba com lascas de lascas de madeira caindo sobre os soldados, que corriam para dentro das trincheiras em busca de alguma proteção. Mas as trincheiras também podiam trazer problemas para os soldados que nelas buscavam refúgio. O frio intenso e a umidade causavam o "pé de trincheira', que nos casos mais graves poderia redundar na amputação do pé do soldado. 

Além da Artilharia, havia ainda as minas terrestres, usadas em abundância. Uma vez um soldado americano afastou, com um chute, uma bota ensanguentada. Depois esse mesmo soldado estremeceu de pavor ao ver que ainda havia um pé ali dentro. O dono daquele pé deveria ter pisado numa das milhares de minas espalhadas pela floresta. 

"Havia um fluxo constante de soldados feridos a sair da floresta, escreveu o jovem artilheiro Arthur Couch, 'Reparei num homem que estaria agarrado à barriga num esforço para conter um grande ferimento que lhe deixava sair os intestinos.' " (página 99)

"Um sargento mais velho disse-me para me deitar atrás das pedras altas e depois movimentar-me na direção onde explodira a última peça de artilharia alemã. Disse que era o mais seguro a fazer, uma vez que os artilheiros alemães sempre viravam um bocadinho o seu canhão para atingir outra posição. Eu (Arthur Couch) corri em direção à última explosão e a seguinte ocorreu a 30 metros de distância. Foi um conselho que me salvou a vida." (página 99)

Os homens que combateram na floresta de Hurtgen vivenciaram casos de esgotamento nervoso/fadiga de combate. 

"Depois de lá passar 5 dias, falamos com as árvores, dizia uma das poucas piadas. Ao sexto dia, elas começam a responder-nos." (página 108)

"Bem, não é muito mau até os soldados de infantaria ficarem tão cansados que, quando saem da linha há um soldado morto da sua própria unidade deitado de costas no seu caminho, não são capazes de desviar os pés, e pisam no rosto rígido porque...que se lixe." (página 108)

Enquanto os combates se desenrolavam em meio aos pinhas da Floresta de Hurtgen, o 3º Exército de Patton, a sua da Floresta de Hurtgen, conquistava a cidade/fortaleza de Metz. Descendo ainda mais para o sul, forças americanos e francesas conquistaram a cidade de Estrasburgo, na Alsácia. A norte, os britânicos, sob o comando de Montgomery, avançavam pela fronteira holandesa/alemã, a partir de Nijmegen.

POR QUE OS ALEMÃES DEFENDERAM A FLORESTA DE HURTGEN COM TANTO AFINCO?

Era para evitar uma penetração das forças aliadas a norte do ponto inicial daquilo que viria a ser a última cartada de Hitler na guerra, a Ofensiva das Ardenas. Basta uma olhada no mapa para ver que o setor da Floresta de Hurtgens estava localizado naquilo que seria o flanco norte do avanço alemão pelas Ardenas. Os alemães não poderiam se dar ao luxo de iniciar uma ofensiva tendo, à sua direita, forças aliadas. A resistência alemã era empreendida por elementos do Grupo de Exércitos Centro, sob o comando do Generalfeldmarschall Model.



PREPARATIVOS PARA A OFENSIVA DAS ARDENAS:

Hitler teve a ideia da Ofensiva das Ardenas no mês de setembro de 1944. Hitler estava na Prússia Oriental, na Toca do Lobo (Wolfsschanze). Ele estava doente, com icterícia, mas não deixava de pensar numa forma mudar o curso da guerra. 

Na Alemanha, a Ofensiva das Ardenas seria chamada de Herbstnebel (Neblina de Outono)

Hitler achava que a aliança entre os capitalistas (França, Grã-Bretanha, EUA) e os comunistas (URSS), mais cedo ou mais tarde, iria ruir. Ela não poderia se sustentar, pois não era algo natural. A previsão de Hitler iria se concretizar, mas só depois do fim da Segunda Guerra Mundial, com a eclosão da Guerra Fria entre os EUA e a URSS. 

Hitler ainda acreditava que só se defender os ataques dos aliados, a leste e a oeste, não resultaria em nada de positivo para a Alemanha. Era necessário uma ofensiva que poderia mudar a sorte da guerra. O objetivo era avançar em direção ao porto de Antuérpia, na Bélgica. Com esse avanço, Hitler queria dividir os aliados, com canadenses e britânicos no norte, e americanos e franceses no sul, criando assim uma nova Dunquerque. A captura do porto de Antuérpia ainda iria dificultar a logística dos aliados, impedindo que seus navios  usassem o porto para abastecer as tropas no front. Enfim, os alemães não poderiam ficar somente se defendendo. A Alemanha teria que se arriscar para tentar mudar o curso da guerra. A escolha pelas Ardenas se deu pelo fato de ser a área menos defendida pelos Aliados. Outro motivo foi o fato das tropas alemãs ficarem concentradas na floresta de Eifel, do lado alemão da fronteira. Ali os alemães ficariam protegidos de ataques aéreos dos aliados. 

OS ALIADOS FORAM PEGOS DE SURPRESA:

O Comando Aliado do SHAEF (Quartel-General Supremo da Força Expedicionária Aliada), com sede em Versalhes, não fazia ideia que os alemães vinham preparando uma ofensiva nas Ardenas. Os aliados foram pegos de surpresa. Em 15 de dezembro, um dia antes do início da ofensiva alemã, um oficial de operações do SHAEF disse que não havia nada a reportar relativamente ao setor das Ardenas. A tranquilidade entre os aliados era tão grande que o Marechal de Campo Montgomery perguntou a Eisenhower se poderia passar o natal na Inglaterra. 

Os aliados achavam, naquele final de 1944, que a Alemanha nazista estava fragilizada demais para empreender uma ofensiva. 

O ESTÍMULO PARA O SOLDADO ALEMÃO CONTINUAR LUTANDO:

Soldados alemães envolvidos na ofensiva das Ardenas, por meio de cartas enviadas para casa, exprimiam a esperança de que a ofensiva seria a chance de expulsar os aliados da Alemanha. Havia ainda a propaganda feita por Goebbels, que usava o medo para manter viva, no soldado alemão, a vontade de lutar, mesmo diante de tantas dificuldades. A tática de Goebbels consistia em espalhar entre os soldados que eles, caso fossem capturados pelos americanos, seriam entregues aos russos. Seriam enviados para a Sibéria. O Slogan de Goebbels era: SIEG ODER SIBIRIEN (Vitória ou Sibéria).

INÍCIO DA OFENSIVA DAS ARDENAS:

Sábado, 16 de dezembro de 1944. A artilharia do 6º Exército Panzer de Sepp Dietrich abre fogo contra as posições americanas. 

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "A BATALHA DE ARDENAS, A ÚLTIMA CARTADA DE HITLER", ANTONY BEEVOR, EDITORA BERTRAND


domingo, 17 de abril de 2022

Fernão de Magalhães Circum-navegação A Terra é uma esfera



OBJETIVO DA CIRCUM-NAVEGAÇÃO:

"O escopo da viagem era alcançar as fabulosas Ilhas das Especiarias, mas não como os portugueses, pelo caminho do levante, circum-navegando a África, percorrendo o Oceano Índico e por fim velejando pelo Mar de Sonda. Mas sim contornando as Américas (que era a direção atribuída pelo Santo Padre à Espanha), embora a maior parte dos cartógrafos, costumasse representar nos mapas aquele remoto continente como terra soldada ao Polo Antártico. Na pior das hipóteses, abriria caminho através de uma passagem secreta que Magalhães seria o único a conhecer." (página 31)

As ilhas das especiarias (Molucas - atual Indonésia) já eram frequentadas pelos portugueses. Eram nas Molucas que cresciam as especiarias desejadas pelos europeus (noz-moscada, cravo da índia, etc). Era o comércio mais lucrativo daqueles dias. 

Os espanhóis queriam tomar essas ilhas dos portugueses, estabelecendo um monopólio no comércio das especiarias. O Estado Moderno do século XVI, substituto do feudalismo então vigente, buscava fontes de produtos que pudessem ser comercializados, redundando em dinheiro para o país que detivesse o monopólio desse comércio. Portugal e Espanha foram os primeiros nessa transição do Estado feudal para o Estado Moderno acumulador de capital

Fernão de Magalhães, então, deveria, ao chegar às Molucas, estabelecer um monopólio espanhol, resultando que aquelas ilhas só poderiam negociar com emissários do rei espanhol. 

FERNÃO DE MAGALHÃES:

Súdito português que optou trabalhar para a Espanha, para o rei Carlos V. Foi capitão-general de uma esquadra financiada pela Espanha, responsável pela primeira circum-navegação da história, iniciada em 20 de setembro de 1519 e encerrada em 6 de setembro de 1522. 

Fernão tinha se desentendido com o rei de Portugal. Trabalhar para o rei da Espanha e, pior ainda, buscar uma rota alternativa para o oriente, tornou Fernão de Magalhães persona non grata em Portugal, pois colocava em risco o monopólio português no comércio das especiarias. 

Fernão de Magalhães foi o idealizador da circum-navegação, iniciando-a mas não conseguindo completá-la. Fernão de Magalhães foi morto numa batalha com indígenas na ilha de Mactan (atual Filipinas), em abril de 1521. Quem efetivamente conseguiu completar a circum-navegação no comando da frota espanhola foi Juan Sebastian Elcano, natural do país Basco, no norte da Espanha.

Fernão de Magalhães já tinha comandado a sua frota na travessia do Oceano Atlântico, passando pelo que hoje é o Rio de Janeiro. Passou ainda pelo Rio da Prata, cuja foz cogitou-se ser a passagem para o Oceano Pacífico. Não era. A frota espanhola continuou descendo pela costa da atual Argentina.Descobriu, por fim, uma passagem para o Oceano Pacífico, na região que foi batizada como Tierra del Fuego, no extremo sul da América do Sul, no atual Chile ( Estreito de Todos os Santos - Estreito de Magalhães). 

Entrando no atual Oceano Pacífico, na época chamado de Mar del Sur, a frota espanhola teve que percorrer um longo caminho até encontrar Terra. Enquanto Cristovão Colombo levou um mês e alguns dias para avistar Terra, Fernão de Magalhães e sua frota só vieram a encontrar Terra no dia 21 de janeiro de 1521, depois de percorridos mais de 100 dias de navegação rumo ao oeste. Parecia que aquele oceano era uma espécie de deserto que iria engolir a frota espanhola. E a Terra descoberta naquele 21 de janeiro não era grande coisa. Mas era "...uma ilhota de rochas escuras, com árvores sem frutas, ...nem uma gota de água doce." (página 163)

"A sensação de termos encalhado num planeta feito só de água, água e mais água. Para não falar da eterna calmaria - foi assim que Magalhães pensou, não sem irritação, em chamar aquele mar traiçoeiro de Oceano Pacífico." (página 154)

Na sequência da viagem outras ilhas iam surgindo. a principal delas o conjunto de ilhas que hoje constituem as Filipinas ( arquipélago das Filipinas, 16/03/1521)

A circum-navegação tinha sido um êxito. As Molucas, ilhas das Especiarias foi alcançada em 6 de novembro de 1521. Mas nessa data Fernão de Magalhães já estava morto.

MORTE DE FERNÃO DE MAGALHÃES:

Entre março e abril de 1521, a frota espanhola ficou explorando as ilhas que hoje compõem o moderno país das Filipinas. No começo, tudo correu bem. Os espanhóis foram bem recebidos pelos locais. que estavam fascinados pelo poder das armas espanholas (seus canhões, suas armaduras, etc)

Num primeiro momento, essa mistura de admiração e medo fez com que os indígenas locais se submetessem aos espanhóis. Parecia que os locais tinham sinceramente se convertido ao cristianismo, tornando-se ainda súditos do rei espanhol. Parecia tudo muito fácil. E essa facilidade inicial tornou Fernão de Magalhães cheio de si, achando que poderia, em pouco tempo, transformar todos os habitantes daquelas ilhas em cristãos e súditos espanhóis. Fernão de Magalhães não iria aceitar qualquer oposição aos seus planos.

"A essa altura Fernão de Magalhães deveria sentir-se tocado pela graça do Senhor; e esse excesso de confiança acabou por ser uma das causas da sua ruína." (página 196)

Fernão de Magalhães cria, acreditava que sua missão estava próxima de ser realizada em sua integralidade. 

"Assim que se crê firmemente em alguma coisa, ela se torna real." (página 197)

Naquela altura dos acontecimentos, para Fernão de Magalhães bastava a sua vontade para tornar verdadeiro tudo o que desejava. 

"A verdade é só uma questão de vontade." (página 197)

Essa confiança excessiva de Fernão de Magalhães seria a causadora de sua morte no dia 27 de abril de 1521. Ao ver seus planos sendo contestados pelo príncipe Cilapulapu, líder de uma das ilhas (Mactan) componentes do arquipélago da atual Filipinas, Fernão de Magalhães organizou uma expedição armada para enfrentá-lo. Mas Fernão organizou mal o ataque. Acreditava que os nativos iriam se render ao primeiro tiro de canhão. No fim, a falta de organização do ataque espanhol, somada à bravura dos nativos de Mactan, acabou por determinar a derrota dos espanhóis. Em meio à luta, Fernão de Magalhães acabou sendo morto. 

Enquanto isso, os nativos das outras ilhas, ao verem a derrota dos espanhóis, perderam o respeito por eles. Se deram conta que os espanhóis não eram deuses. Eram humanos e frágeis como eles e podiam ser derrotados. A partir daí, os nativos começaram a perder o respeitos pelos espanhóis. O resultado é que os espanhóis foram expulsos das ilhas. Os nativos então abandonaram o cristianismo e voltaram para seus deuses. 

Sem Fernão de Magalhães no comando da frota, os espanhóis saíram das Filipinas. A frota passou então pelo Oceano Índico. Desceu pela costa oriental africana. Passou pelo Cabo da Boa Esperança, seguindo então pelo Oceano Atlântico, até chegar à Espanha, completando a circum-navegação em setembro de 1522

QUEM TERMINOU A CIRCUM-NAVEGAÇÃO:

A frota espanhola chegou à Espanha em setembro de 1522, sob o comando do espanhol Juan Sebastian Elcano. A frota então estava reduzida a um navio, o Victoria. Os méritos da circum-navegação ficaram com o espanhol Juan Sebastian Elcano. Fernão de Magalhães foi esquecido por motivos políticos. Ele era português. A Espanha era rival de Portugal. Dessa forma, a Espanha agiu para desaparecer com Fernão de Magalhães, atribuindo o mérito da primeira circum-navegação da Terra ao espanhol Elcano. 

DESTINO DA PASSAGEM DESCOBERTA POR FERNÃO DE MAGALHÃES:

O caminho descoberto por Fernão de Magalhães se mostrou economicamente inviável e extremamente perigoso, caindo em desuso.

Agora, quem seguia aquele caminho preferia transportar as mercadorias em caravanas pelo istmo do Panamá." (página 246)

A TERRA É REDONDA. NÃO É PLANA:

Com a chegada às Filipinas e às ilhas Molucas, ficava confirmado "...que a Terra é uma esfera e que, seguindo em linha reta, mais cedo ou mais tarde, chega-se de volta ao ponto de partida" (página 172)

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DE LEITURA DO LIVRO "FERNÃO DE MAGALHÃES" A MAGNÍFICA HISTÓRIA DA PRIMEIRA CIRCUM-NAVEGAÇÃO DA TERRA", GIANLUCA BARBERA, EDITORA VESTÍGIO.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

A Morte de Hitler Teorias da Conspiração Hitler teria fugido do bunker?




A VERDADE:

Hitler fugiu para a Argentina ou cometeu suicídio? 
Vamos aos fatos:
Nas últimas semanas de abril de 1945, Hitler rejeitou todas as propostas para fugir e se esconder dos aliados. Testemunhas que estavam com Hitler, no Bunker da Chancelaria, relataram que ele dizia estar tudo perdido. 

"A 22 de abril de 1945, dois dias após o seu 56º aniversário, disse aos seus generais e à sua equipe que se suicidaria com um tiro..." (página 196)

Albert Speer, no dia 24 de abril, ficou sabendo, pela boca de Hitler, que Eva Braun queria compartilhar do mesmo destino de seu companheiro, suicidando-se. 
Como planejado, no dia 30 de abril de 1945, Hitler, acompanhado por Eva Braun, trancou-se no seu escritório, no bunker da Chancelaria, em Berlim. Posteriormente, testemunhas que entraram no escritório de Hitler encontraram-no no sofá, a escorrer sangue de um buraco na têmpora direita, a pistola caída no chão ao seu lado. O corpo de Eva Braun estava ao lado do corpo de Hitler. O corpo de Eva Braun exalava um forte odor, indicativo que tinha se envenenado. 
Os corpos de Hitler e de Eva foram então enrolados em cobertores, embebidos em combustível e queimados no jardim da Chancelaria do Reich. Após isso, os corpos carbonizados de Hitler e Eva foram enterrados no mesmo local.
Com o fim da guerra, soldados soviéticos desenterram os corpos de Hitler e Eva. Pouco restou de Hitler e Eva. Os soldados soviéticos conseguiram pagar próteses dentárias e uma parte de um maxilar. De posse deles, os soviéticos procuraram o técnico que trabalhava para o dentista de Hitler, que confirmou que os restos mortais encontrados no jardim da Chancelaria do Reich pertenciam a Hitler e a Eva Braun (página 197)

"Os restos mortais de Adolf Hitler, como Ian Kershaw conclui na sua monumental biografia do líder nazi, 'cabiam, ao que parece, numa caixa de charuto'." (página 197)

A conclusão de que Hitler não fugiu e que se matou no Bunker é baseada em várias investigações, feitas pelos britânicos, pelos soviéticos e por um Tribunal alemão de Berchtesgaden, que em 1956, após uma exaustiva investigação, concluiu pela morte de Hitler, emitindo então sua certidão de óbito.

AS TEORIAS CONSPIRATÓRIAS:

Quem preparou o terreno para o surgimento das teorias conspiratórias, sobre a morte ou não de Hitler, foi o ditador comunista Stalin. Por que Stalin agiu dessa forma? Para Stalin era importante que as pessoas achassem que Hitler ainda estava vivo, de forma a justificar sua política de ser o mais duro possível com os alemães, de forma a erradicar o nazismo de uma vez por todas, e de colocar os alemães de joelhos. 
Stalin ainda tinha outro objetivo. Ele queria rechaçar a versão de que Hitler teria lutado até fim contra o bolchevismo, sendo morto em combate. Essa narrativa tinha sido divulgada na noite do dia 1 de maio de 1945: "Às 22h26 do dia 1 de maio de 1945, a morte de Hitler foi oficialmente anunciada na rádio alemã. O almirante Donitz, apontado para lhe suceder no cargo, disse à Wehrmacht que o Fuhrer fora morto 'na luta contra o bolchevismo, até ao seu último fôlego'". (página 191)

Stalin então queria que Hitler fosse visto como um covarde, um fujão. Para conseguir seu objetivo, Stalin colocou em segredo um relatório de mais de 400 páginas, concluído em 1949, que concluía que Hitler tinha se suicidado no Bunker da Chancelaria do Reich. Esse relatório só viria à luz com a queda da União Soviética (1989/1991). Para Stalin, a mitologia de que Hitler ainda estaria vivo ajudaria seu plano de manter o controle sobre a Europa a leste da Cortina de Ferro. Até a presença anglo-americana e de tropas francesas em território alemão, após o fim da guerra, ajudava a fomentar a mitologia de que Hitler estaria vivo. Seria o medo de que Hitler, emulando Napoleão Bonaparte, voltasse à Alemanha para recomeçar a guerra.
Logo após a guerra, revistas sensacionalistas americanas e inglesas contavam histórias de que Hitler estaria vivo. Eram histórias que não se escoravam em documentos ou depoimentos de testemunhas reais, mas ajudavam na venda das revistas.
Muito foi dito e escrito na época sobre o destino de Hitler: ele estaria numa ilha no Báltico; ele teria sido visto em Dublin, vestido de mulher; teria até sido visto como mendigo nas ruas da Albânia. Mas a história mais contada era a de que Hitler teria fugido para a Argentina
Contribuíram para as narrativas de que Hitler tinha fugido para a Argentina, o fato de alguns nazistas terem de fato fugido para aquele país, como por exemplo, Adolf Eichmann. 


SÉCULO XXI E O RESSURGIMENTO DAS TEORIAS CONSPIRATÓRIAS SOBRE O DESTINO FINAL DE HITLER:

O século XXI viu o renascimento das teorias conspiratórias sobre o destino final de Hitler. Livros, filmes e até documentários foram lançados. Como toda teoria conspiratória, elas buscam desqualificar estudos feitos por acadêmicos profissionais que são rejeitados simplesmente pelo fato de serem acadêmicos profissionais. 
Defensores de teorias conspiratórias seguem um script definido:

a) Só eles conhecem a verdade. Eles lutariam contra grupos de pessoas malévolas e ricas que manipulam nos bastidores.
b) Só eles levantam o véu do conhecimento oficial.
c) Avalanche de frases do tipo: 'Poderia ter havido'; É possível que Hitler tenha vindo por aqui'; 'Se havia de fato um bunker'.
d) Por que não contam a verdade?
e) Veem-se como perseguidos.
f) Usam de especulações, suposições, insinuações, sugestões e simplesmente invenções.
g) Procuram sistematicamente desacreditar o saber produzido nas Universidades.
h) Procuram desacreditar a ciência, buscando promover um conhecimento alternativo de natureza diversa.

O livro de Richard E. Evans comenta esses novos livros, filmes e documentários, de forma exaustiva, mostrando as suas falhas, rebatendo todas essas teorias conspiratórias. Chega a ser cansativo ler o autor rebatendo os vários absurdos criados em torno do destino final de Hitler. Há de tudo. Apenas alguns exemplos: 

a) Hitler teria fugido para a Argentina. 
b) Hitler teria fugido para uma ilha do Báltico. Hitler teria fugido para o Estado do Mato Grosso, no Brasil. Hitler então teria se estabelecido na cidade de de Nossa Senhora do Livramento, perto de Cuiabá, onde, munido de um mapa dado por aliados do Vaticano, se lançou na busca de um tesouro escondido. 
c) Haveria um sósia de Hitler no Bunker, que se passava por ele, enquanto o Hitler original fugia de Berlim. 

Apesar de cansativo, o trabalho do autor é necessário nesses tempos de pós-verdade, de fake news. É necessário, nesse mundo no qual há gente disposta a acreditar em qualquer absurdo, como por exemplo, que a Terra é plana.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DA LEITURA DO LIVRO "AS CONSPIRAÇÕES EM TORNO DE HITLER, O TERCEIRO REICH E A IMAGINAÇÃO PARANÓICA", RICHARD E. EVANS, EDITORA EDIÇÕES 70.