domingo, 9 de junho de 2024

Gengis Khan e a Formação do Mundo Moderno Império Mongol Tribos Nômades versus Mundo Tamerlão ou Timur ou Timurlenk Jack Weatherford John Darwin

 INÍCIO:

Gengis Khan nasceu em meio a um mundo perturbado pelo caos e pela guerra, que incluia assassinatos, sequestros, escravização e guerras sem fim. Ainda adolesceente, matou seu meio-irmão mais velho. Já adulto, foi feito prisioneiro pela tribo Tayichiud. Temujin, futuro Gengis Khan, nasceu no século XII, em 1162. às margens do rio Onon, na atual Mongólia. Sua mãe, Hoelu, tinha sido sequestrada pelo seu pai Yesugei. 

SOCIEDADE DE CLÃS:

O Clã de Temujin era o Borijin, que era o de seu pai. Os Borijin estavam ligados a um clã maior, os Tayichiud. Quando o pai de Temujin morreu, a sua família foi largada a vagar sozinha pela estepe, pois não havia nenhum homem disposto a assumir a sua mãe em casamento. Na tradição da estepe, o meio-irmão mais velho de Temujin, Begter, fruto do casamento de seu pai com uma outra mulher, poderia se casar com sua mãe, Hoelu. Mas Temujin e Begter não se davam bem. Temujin não aceitava receber ordens de seu meio-irmão. Ver sua mãe casando-se com seu meio-irmão pressagiava um futuro tenebroso para Temujin, razão pela qual ele o assassinou. Ao saber que Temujin, ajudado pelo seu irmão mais novo, tinha matado Begter, Hoelu disse-lhes: "Vocês não têm outra companhia além das próprias sombras." Num primeiro momento, a professia de sua mãe se concretizou. Em razão desse crime, Temujin foi feito prisioneiro pelo clã Tayichiud. Amarraram uma canga de boi em Temujin, de forma que ele não podia beber nem se alimentar sem ajuda. No fim, a sorte sorriu para Temujin, na forma de uma família que o ajudou a fugir do cativeiro.

TEMUJIN LIVRE E CASADO

Depois de fugir do seu cativeiro, Temujin casou-se com Borte. Na sequência, foi procurar emprego com um velho amigo de seu pai, Torghil, da Tribo Kereyid. Ali, Temujin se reencontrou com Jamuka, do clã Jadaran. Temujin e Jamuka não eram parentes consanguíneos ou afins. Mas eram irmãos cerimoniais, uma espécie de parentesco nascido por meio de uma cerimônia, no qual duas pessoas prestavam um juramento, havendo ainda a troca de roupas entre elas, numa forma de compartilhar o cheiro delas, pois acreditavam que o cheiro era parte da alma de uma pessoa. 

Eterno Céu Azul

CRENÇA MONGOL:

Os mongóis acreditavam que o cheiro de uma pessoa era parte de sua alma. Os mongóis eram animistas, adorando espíritos à sua volta. Os espíritos estavam nas montanhas, nos rios, etc. Quando Temujin buscou refúgio Montanha Burkhan Khaldun, ele passou a vê-la como um espírito que o tinha ajudado a escapar de seus inimigos. Essa montanha passaria a ser a fonte de sua força. Os mongóis ainda cultuavam o Eterno Céu Azul. Quando Gengis Khan conquistou a cidade de Bucara, na Ásia Central, levaram-no a visitar uma Mesquita, dizendo-lhe que ali era a morada de Deus. Gengis Khan não disse nada, pois para ele o Eterno Céu Azul, que se estendia de horizonte a horizonte, não poderia ser encarcerado numa casa de pedra.

TEMUJIN PASSA A SER GENGIS KHAN

Temujin passou a andar com seu amigo cerimonial Jamuka. Num primeiro momento, tratavam-se como iguais. Mas com o passar do tempo, Temujin começou a se sentir desprestigiado, sendo tratado como se fosse um subordinado de Jamuka. Esse estado de coisas ocasionou um rompimento entre ambos, de forma que Temujin largou Jamuka e buscou criar seu próprio grupo de seguidores. Essa separação fez com que Jamuka e Temujin se tornassem inimigos. Por duas décadas Jamuka e Temujin iriam lutar pela liderança das tribos da estepe. Para alcançar a liderança era necessário, por meio de uma assembleia, chamada de Kurultai, ser eleito pelas tribos e pelos clãs como Khan. O primeiro a consegui-lo foi Temujin, tornando-se, então, Gengis Khan. Depois de ser eleito, Gengis Khan empreendeu várias campanhas militares pelas estepes, de forma a angariar butim, saque, com estes, atrair seguidores. Todo mundo queria ser seguidor de um líder vitorioso, que distribuísse butim para quem o acompanhasse. O poder de Gengis Khan aumentou. Mas batalha final entre Gengis Khan e Jamuka só se daria no início do século XIII, no ano de 1204. Derrotado Jamuka, Gengis Khan tinha as estepes aos seus pés. Temujin controlava então um território aproximadamente do tamanho da Europa Ocidental moderna. Havia ali uma população de 1 milhão de habitantes, de diferentes tribos, e 15 a 20 milhões de animais, dois quais tiravam praticamente tudo do que precisavam: alimentação, vestuário, cobertura para suas moradias (daí o nome de Povo das Paredes de Feltro), etc. 

GENGIS KHAN VOLTA SEUS OLHOS PARA A RIQUEZA DO SUL DA ÁSIA:

Terminada a conquista das estepes da Mongólia, Gengis Khan volta seus olhos para o sul, uma região de muita riqueza, de onde vinham produtos manufaturados, como metais, têxteis, etc. 

GUERRA MUNDIAL MONGOL:

A Guerra Mundial Mongol do século XIII estava para começar. Dizia-se que os cascos dos cavalos mongóis vão a toda parte, escalando o céu e mergulhando mar adentro. E o alvo estava ao sul da Mongólia, uma região coalhada de estados e reinos independentes. A maioria deles tinha a mesma gênese: uma região agrícola e pastoril governada por uma tribo nômade que a havia conquistado. Essa tribo guerreira explorava a população local sedentária. Com o passar do tempo, essas duas realidades se misturavam, tornando-se uma coisa só: uma sociedade basicamente agrícola e sedentária. Na sequência, vinha uma nova tribo nômade guerreira que iria conquistar essa mesma área. E a história se repetia. Mas além dessas entidades políticas médias e pequenas, havia grandes Estados, como aquele governado pelos Jurched. Os Jurched, povo tribal originário das florestas da Manchuria,  dominavam a Manchuria, a Mongólia interior e o norte da China, com sua capital na cidade de Zhongdu, atual Pequim. Eram riquíssimos e eles seriam as primeiras vítimas da Guerra Mundial Mongol.

Depois de atravessar o deserto de Gobi, Gengis Khan e seu exército partiram para sua guerra contra os Jurched. Viajar grandes distâncias não era um problema para os mongóis. Cada homem carregava o necessário e nada mais. Mongóis, nesse primeiro momento, só tinham cavalaria. Não havia infantaria. O exército mongol, na época de Gengis Khan, não precisava despender energia com comboios de suprimentos. Seus homens eram acompanhados apenas por uma grande reserva de cavalos, que se alimentavam das pastagens por onde passavam. Esses animais, por sua vez, forneciam tudo do que os mongóis precisavam. Ainda pelo caminho, os mongóis se alimentavam da caça e do saque. 

CONTRASTE ENTRE UMA SOCIEDADE NÔMADE E UMA SOCIEDADE SEDENTÁRIA:

A Guerra Mundial Mongol colocou em combate duas espécies de sociedade: a sedentária e a nômade. Os mongóis, nômades, estranhavam a vida da sociedade sedentária. No caso do território Jurched, havia mais gente do que animais. Na Mongólia, ocorria o contrário, onde havia de 5 a 10 animais para cada ser humano. Para os mongóis, os campos cultivados com cereais eram apenas pastos e os camponeses que nele labutavam eram como animais que pastavam, comendo seus vegetais, enquanto que os mongóis eram comedores de carne e de laticínios. Durante a guerra, essas duas sociedades também se diferenciavam:

"Como nômades, os mongóis aprenderam cedo a guerrear em movimento. Para o soldado camponês, fugir significava perder; perseguir significava vencer. O soldado sedentário buscava expulsar o lugar quem o atacava. O nômade buscava matar o inimigo , e não importava em nada se o matasse enquanto investia em sua direção ou enquanto fugia dele. Para o mongol, ambas as direções eram adequadas para lutar; conquista em fuga era tão boa quanto uma parada. Assim que atraíam seus oponentes para fora das cidades muradas, aplicavam técnicas que haviam aprendido para manejar o movimento de grandes rebanhos de animais. Mais comumente, faziam com que seus inimigos se enfileirassem em uma longa linha que se tornava cada vez mais desprotegida e era facilmente atacada tão logo fosse atraída para uma armadilha; ou então, em fuga, dividiam-se em pequenos pelotões e dispersavam os perseguidores em pequenos grupos, que podiam ser mais facilmente derrotados." (página 173, Gengis Khan e a formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil)

Em 1214, depois de um cerco bem sucedido em Zhongdu (atual Pequim), o líder do povo Jurched se rendeu a Gengis Khan. Em troca da paz, os Jurched deram aos mongóis grandes quantidades de prata, ouro, seda, cavalos, escravos, etc. Satisfeito com o acordo, Gengis Khan voltou para sua terra natal na Mongólia. Gengis Khan tinha um butim imenso para distribuir entre seu povo. Havia de tudo: seda da China, tabeçaria, porcelana, móveis, jogos de tabuleiro, facas de bronze, armaduras de metal, frascos de perfume, remédios, joias, chá preto, escravos, etc.

A GUERRA ERA O MEIO DE PRODUÇÃO DOS POVOS NÔMADES

Não obstante o sucesso da primeira campanha da Guerra Mundial Mongol, os mongóis queriam mais. O butim de hoje criava no mongol o apetite por mais. Cada butim adquirido incitava o desejo por mais. E, mais butim, significava mais guerras. 

"A guerra para os povos nômades era um meio de produção. Para os guerreiros significava sucesso e riqueza." (página 189, Gengis Khan e Formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil)

SULTÃO VERSUS KHAN

Gengis Khan tinha um novo alvo em mente. Tratava-se do Império Khwarizm, que englobava áreas que iam do Afeganistão ao Mar Negro. Era tentador. Em 1219, Gengis Khan partiu para o oeste, para conquistar Khwarizm. Gengis Khan, durante a campanha, tomou várias cidades da Ásia Central (Bucara, Samarcanda, Merv, Herat, Peshawar, Tabriz, Tbilisi, Astracã, etc). O sultão teve que fugir para uma ilha no Mar Cáspio. Das montanhas do Himalaia às montanhas do Cáucaso, Gengis Khan e seus homens só obtiveram vitórias. Após 4 anos de campanhas pela Ásia Central, Gengis Khan, com mais de 60 anos, estava no auge de seu poder. 

DIVISÃO DO PODER ENTRE OS MONGÓIS:

Com mais de 60 anos de idade, Gengis Khan começou a pensar como seria o Império após a sua morte. 

"Na tradição da estepe, cada filho em uma família de pastores recebia alguns animais de cada espécie que a família possuísse; assim como o direito de uso de alguma porção das terras de pastagem. Similarmente, Gengis Khan planejou dar a cada filho um império em miniatura, que refletisse, na medida do possível, as diversas propriedades de todo o império. Cada filho seria khan de um grande número de pessoas e rebanhos na estepe, assim como o proprietário de uma grande extensão de terras abarcando cidades, oficinas e plantações nas zonas sedentárias. Acima dos outros, no entanto, um filho seria o Grão-Khan, que administraria o governo central, ..." (página 205, Gengis Khan e a Formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, editora Bertrand Brasil)

Gengis Khan morreu em 1227. Seu filho Ogodei recebeu o título de Grão-Khan. Ogodei não era como seu pai. Ele achava que um reino conquistado na sela de um cavalo não poderia ser governando também sobre a sela de um cavalo, de forma que ele precisava de uma capital, de um palácio. Foi um erro ele pensar assim, porque foi justamente a mobilidade resultante do uso do cavalo que possibilitou que Gengis Khan conquistasse, em tão pouco tempo, um território imenso. 

Ogodei construiu a sua capital em Karakorum. Paulatinamento, os mongóis seriam transformados de uma nação de guerreiros montados em uma corte sedentária. Em 1235, Ogodei já havia esbanjado tanto dinheiro na sua capital, que praticamente toda a riqueza angariada por Gengis Khan tinha sido dilapidada. De onde Ogodei poderia tirar dinheiro? Seu povo não manufaturava, não cultivava a terra. Só havia uma alternativa: novas guerras. Havia 4 caminhos: guerra contra a dinastia Sung, no sul da China; guerra contra a Índia; invasão do Oriente Média (Bagdá, Damasco); invasão da Europa.

Não havia um consenso sobre qual alvo era o melhor. Num primeiro momento, pensou-se que a guerra deveria se dar em todas a direções. 

No que diz respeito à campanha europeia, ela durou 5 anos, e foi comandada por dois netos de Gengis Khan, Batu e Mongke. A invasão teve início na área do Rio Volga, em 1236 (século XIII). Do Volga partiram para a conquista pelo que mais tarde se tornaria a Rússia e a Ucrânia. Antes de invadir, os mongóis faziam uma proposta para suas vítimas. Ela consistia no pagamento de 10% de toda a riqueza produzida, em troca da qual os mongóis deixariam de destruir o principado/reino, deixando ainda de interferir na religião e no governo locais. A cidade de Kiev, na atual Ucrânia, não aceitou a proposta dos Mongóis, razão pela qual foi destruída em 1240. Depois da Rússia e da Ucrânia, os mongóis entraram na Hungria e na Polônia. Um exército europeu foi batido em Liegnitz, em 1241. O exército húngaro foi derrotado. Os mongóis perseguiram o rei húngaro até o Mar Adriático. Nada os detinha. Os europeus foram salvos pela por um detalhe. O Khan Ogodei tinha morrido. Um novo Khan teria que ser escolhido e, para isso, todos os mongóis deveriam ir para a Mongólia. E asssim, como um milagre, os mongóis deixaram a Europa em paz. 

NOVO KHAN - GUYUK:

O novo Khan escolhido para comandar os mongóis foi Guyuk. Depois de 18 meses no poder, ele morreu. Provavelmente foi assassinado. Em 1251, Mongke assumiu no seu lugar. 

"Nos anos seguintes, Mongke, Arik Boke e Kublai carregariam o título de Grão-Khan por diferentes períodos, e seu outro filho Halegu, se tornaria Il Khan da Pérsia e fundador de sua própria dinastia naquela região. Seus filhos ampliariam o império ao máximo ao conquistarem toda a Pérsia, Bagdá, Síria e Turquia. Eles viriam a conquistar a Dinastia Sung e chegariam ao Vietnã, ao Laos e à Birmânia. Destruiram a temida ordem dos Assassinos e executariam o califa muçulmano." (página 270, Gengis Khan e a Formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil)

IMPÉRIO MONGOL RETOMA A OFENSIVA:

Agora, os alvos eram a Dinastia Sung da China e a civilização muçulmana dos árabes e persas. Mongke designou seu irmão Halegu para atacar Bagdá, Cairo e Damasco. Kublai ficaria com a China. Em 1253, os mongóis partiram para mais uma aventura. 

No caminho para Bagdá, Halegu teria que atravessar uma área dominada por fortalezas ismaelitas nizari, uma ordem muçulmana herética de xiitas conhecidas como ASSASSINOS. Essas fortalezas, construídas nas montanhas, estendiam-se do Afeganistão à Síria. Sem um exército regular, essa ordem muçulmana extraía seu poder do terror e de assassinatos. Eles buscavam matar qualquer um que porventura se pusesse contra eles. Eram recrutados homens jovens, que eram doutrinados com a ideia de que, caso morressem pela causa, ganhariam a entrada para o paraíso. Esses jovens também eram atraídos por prazeres terrenos, como o Haxixe. 

"Supostamente devido à importância dos narcóticos para os ismaelitas, eles eram chamados de hashshashin, isto é, usuários de Haxixe. Com o passar do tempo, esse nome evoluiu para a palavra assassino." (página 286, Gengis Khan e a formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil)

Em 1256, os assassinos se renderam aos mongóis. O caminho para Bagdá estava livre para Halegu. Bagdá era a maior e mais rica cidade do mundo muçulmano. Em fevereiro de 1258, os mongóis conquistaram Bagdá. Damasco rendeu-se e os mongóis chegaram às praias do Mediterrâneo. Mas o mongóis não eram invencíveis. Ao tentarem conquistar o Egito, foram derrotados pelos mamelucos em 1260. 

Kublai, por sua vez, conseguiu conquistar a China. Em 1260, foi proclamado Imperador Chinês. Kublai também conquistou o título Grão-Khan dos mongóis. 

O Império Mongol dividia-se agora em quatros zonas :

1) Kublai (Dinastia Yuan) governava a China, o Tibet, a Manchuria, a Coreia e a Mongólia Oriental.

2) Um outro ramo do poder mongol, denominada Horda Dourada, dominava os países eslavos da Europa oriental, e se recusava a reconhecer Kublai como Grão-Khan. Essa Horda Dourada dominava cidades como Kiev, Moscóvia, Kazan, Astracã, etc.

3) As terras governadas por Halegu, que se estendiam do Afeganistão até a Turquia, ganharam o nome de ilkhanato, isto é, império vassalo

4) Os mongóis mais tradicionais ocuparam as estepes centrais, que ficaram conhecidas como Mogolistão, e abrangiam uma área que hoje engloba o Cazaquistão e a Sibéria no norte, e através do Turquistão, na Ásia Central, até o Afeganistão, no sul.

A divisão acima exposta foi o início do fim do domínio mongol. Na europa oriental, o principado de Moscóvia se tornou o Império Russo, tomando todos os territórios antes dominados pelos mongóis. Nos países muçulmanos, turcos, persas e árabes retomaram o poder, em prejuízo dos mongóis. Na China, os chineses retomaram o seu país das mãos dos mongóis.

"O império de Gengis Khan foi o último grande império tribal da história. O herdeiro de 10 mil anos de guerras entre as tribos nômades e o mundo civilizado, a antiga luta do caçador e pastor contra o fazendeiro. Uma história tão antiga quanto aquelas das tribos beduínas que seguiram Maomé para destruir a idolatria pagã da cidade, das campanhas romanas contra s hunos, dos gregos contra os citas nômades, dos moradores das cidades egípcias e persas que oprimiam as tribos nômades dos pastores hebreus e, em última análise, de Caim, o lavrador, que matou seu irmão Abel, o pastor." (página 403, Gengis Khan e a Formação do Mundo Moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil)

Divisão do Império Mongol 1300

TAMERLÃO OU TIMUR, O COXO, OU TIMURLENK. VITÓRIA DAS SOCIEDADES SEDENTÁRIAS SOBRE AS TRIBOS NÔMANES. A ÚLTIMA TENTATIVA DE REVIVER O IMPÉRIO MONGOL

Tamerlão nasceu na década de 30 do século XIV, num clã menor no interior de uma confederação tribal turco-mongol, em uma das quatro grandes regiões em que o Império Mongol de Gengis Khan e seus descendentes se tinha dividido. Tamerlão acabou se destacando como líder, reunindo em torno de si as tribos e clãs locais. Entre 1380 e 1390 (século XIV), lançou-se na conquista do Irã, da Mesopotâmia (atual Iraque), Armênia e Geórgia. Dirigiu ainda ataques ao sul da Rússia e ao norte da Índia, destruindo Déli. Depois, regressou ao Oriente Médio, atacando as cidades sírias de Alepo e Damasco. Em 1402, derrotou o sultão otomano na Batalha de Ancara. As suas conquistas tentaram reproduzir o grande Império Mongol. Assim como o Império Mongol, o Império de Tamerlão sustentava-se com a exploração da rota comercial eurasiática (Eurásia). A capital do seu Império timúrida ficava na cidade de Samarcanda, na Ásia Central. 

O Império de Tamerlão acabou desaparecendo após a sua morte. A sua morte assinalou o fim de uma longa fase da história mundial:

1) O Império de Tamerlão foi a última tentativa de unir a Eurásia num bloco uniforme sob o governo de uma só pessoa. A partilha da Eurásia entre o Extremo Ocidente (Europa), a Eurásia Central Muçulmana (Iraque, Síria, etc) e a Ásia Oriental (China) estava consolidada. 

2) O derradeiro insucesso de Tamerlão assinalou a vitória dos Estados fundados em sociedades sedentárias sobre os Estados fundados em sociedades nômades. O campo semeado venceu o domínio da estepe.

3) A decadência do estilo nômade de governo originou a decadência do centro da Eurásia. Em seu lugar, floresceram os extremos da Eurásia: extremo ocidente na Europa e extremo oriente na Ásia.

4) A morte de Tamerlão também assinalou o começo do fim da Eurásia como corredor do comércio mundial - rota oriente - ocidente. A rota da seda perderia relevância. A descoberta das rotas marítimas (século XIV) por  Portugal abriu um espaço comum pelo qual o comércio seria realizado, ligando todos os campos do mundo. 

Anotações extraídas dos Livros

1) Gengis Khan e a formação do mundo moderno, Jack Weatherford, Editora Bertrand Brasil

2) Ascensão e Queda dos Impérios Globais, 1400-2000, John Darwin, editora Edições 70




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