domingo, 7 de julho de 2013

Depois que partiste



Depois que partiste


Depois, senhor, que partiste,

nada mais cuido a esta vida.

Mudei, como a cheia lua:

cada noite diminuo.

ZHANG JIULING


FOLHA DE SÃO PAULO, DOMINGO, CADERNO ILUSTRÍSSIMA, PÁGINA 8, 7 DE JULHO DE 2013.
TRADUÇÃO: RICARDO PRIMO PORTUGAL E TAN XIAO
acervo FOLHA:
http://acervo.folha.com.br/

Inteira Ausência



O CLARO RIO REFLETE MAIS DE MIL SALGUEIROS.

PASSARAM SOB A VELHA PONTE OS ANOS, VINTE;

A PONTE À DESPEDIDA, A BELEZA PARTIDA,

SEM MAIS NOTÍCIA AO TEMPO IDO, A INTEIRA AUSÊNCIA.

por Liu Yuxi

tradução Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao
FOLHA DE SÃO PAULO, domingo, 7 de julho de 2013
Caderno ILUSTRÍSSIMA, página 8
ACERVO FOLHA:
http://acervo.folha.com.br/

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ainda bem

COGITATIONIS POENAM NEMO PATITUR

Ninguém pode ser punido por pensar


Fonte:
Dicionário Técnico Jurídico Rideel (Deocleciano Torrieri Guimarães)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Radovan Ivsic

DE TUDO QUE SEI
E QUE SEI QUE SABES
DE TUDO QUE VEJO
E QUE SEI QUE TU VÊS
DE TUDO QUE OUÇO
QUANDO ESCUTO TEU CORAÇÃO
DE TUDO QUE ME DIZES
E QUE TANTO AMO
DE TUDO QUE SE PASSA
QUANDO FECHAS OS OLHOS
DE TODOS OS SONHOS
DE TODAS AS ESTRELAS
DE TODAS AS NUVENS
DE TUDO ISSO SABES
O QUE ME ALEGRA AINDA MAIS?

DE TUDO ISSO QUE ME ALEGRA AINDA MAIS
E QUE SEI QUE SABES
PORQUE TU SABES E EU TAMBÉM
TU SABES QUE ME AMA
E EU SEI QUE TE AMO

Radovan Ivsic
tradução: eclair antonio almeida filho
Jornal Folha de São Paulo, caderno ilustríssima, domingo, 21 de abril de 2013.
http://acervo.folha.com.br/

Nada perturba tanto...

"Nada perturba tanto as vidas que vivemos como as vidas que não vivemos."

João Pereira Coutinho
Frase extraída de artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo, terça-feira, dia 30 de abril de 2013, caderno Ilustrada, página E6
http://acervo.folha.com.br/

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Vamos nos divorciar

Esposa: "Feliz 50 anos amor! Vou te dar um presente diferente...Uma noite com uma Garota de Programa!"
Marido: "Uau, você é uma mulher muito legal! Te amo cada vez mais!"
Esposa: "Era mentira! Só estava testando você! Vamos nos divorciar!"

Fonte:
Quadrinhos: Mundo Monstro, Adão.
Caderno Ilustrada, Folha de São Paulo, página E11, 19.09.2012
Acervo Folha:

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Leis deste viver


"Ah, se Deus nos deixasse, Amor, interceder

para apagar as tristes Leis desse Viver,

somente obedecendo à voz do Coração,

que Livro diferente iríamos escrever!"


Rubáyát

memória de Omar Khayyám

Editora Unesp. Tradução, notas e apresentação: Luiz Antônio de Figueiredo.
http://www.editoraunesp.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=1441

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Empréstimo de útero


Empréstimo de útero, também chamada de gestação por substituição.

É permitida desde que exista uma proibição médica para que uma determinada mulher possa engravidar. 

Essa mulher, cuja gravidez, poderá colocar a sua vida em risco, poderá então doar o seu embrião para que uma outra mulher dê continuidade ao processo de gravidez.

A mulher que for emprestar seu útero deverá ser parente da doadora (ex.: em primeiro grau - irmã; segundo grau - prima).

A novidade agora é que uma amiga da doadora também poderá emprestar o seu útero (essa ampliação foi determinada no Estado de São Paulo).

Todavia, isso pode dar margem a fraudes. Alguém pode se passar por amiga quando na verdade está mercantilizando o seu útero. É preciso fiscalizar. Mas como fiscalizar se existe realmente uma relação de amizade?

Material genético: Em laboratório, o espermatozoide do pai e o óvulo da mãe irão formar o Embrião.

A mulher que for ceder seu útero, terá que ser submetida a um relatório médico, no qual deverá ser traçado o seu perfil psicológico. Se ela for casada ou viver em união estável, deverá haver o consentimento do companheiro. 

Em seguida, esse embrião será colocado no útero emprestado.

Essa doação terá que ser altruísta, isto é, não deverá haver intuito de obter lucro.

Nota: o aluguel de útero no Brasil é claramente um ato ilícito, tendo em vista que a CF/88, em seu artigo 199, proíbe o comércio de tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento. Isto significa que não pode haver intenção de obter lucro. 

Artigo 199 da Constituição Federal de 1988
§ 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. 
Veja a Constituição no site do Supremo Tribunal Federal:

sábado, 18 de agosto de 2012

Um filho para duas mães


Isso aconteceu em São Paulo

Decisão dada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Um mesmo rapaz tem registrado em sua Certidão de Nascimento duas mães:
A primeira delas, a biológica, aquela que lhe deu a vida e que morreu três dias depois de seu nascimento.
A segunda delas, a afetiva (madrasta ou mãe socioafetiva). Essa foi quem efetivamente o criou a partir de seus dois anos de idade, ocasião em que se casou com o seu pai.
O inédito está no fato do nome da mãe morta ter sido mantido na Certidão.
Dessa forma, legalmente, uma mesma pessoa passa a ter um pai, duas mães e seis avós.
A madrasta poderia ter optado pelo caminho mais fácil, que seria o da adoção. Mas aí o nome da mãe biológica seria excluído da Certidão de Nascimento.
Para Maria Berenice Dias, do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo transporta para o direito uma situação real. "Se ele tem duas mães, não tem por que não ter os dois registros e os direitos."
Para Flávio Tartuce, este reconhecimento da Multiparentalidade terá efeito em todas as esferas, mas principalmente em questões de herança e pensão.

Fonte:
Jornal Folha de São Paulo, caderno Cotidiano, 18 de agosto de 2012, página C10.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Argila



Meu lábio degustou a sagrada Bebida


num Caneco de Argila, para entender a Vida.


Argila aconselhou: - "Contente-se em Beber,


não haverá mais vinho após a despedida.

Umar Ibn Ibráhim Al Khayyámi, Matemático Persa.
Rubáyát

Fim que nos espera

Enche a Taça de Vinho, e tua roupa severa


atira ao fogo acolhedor da Primavera!


Chega de contrição! O Pássaro do Tempo


abriu as asas rumo ao Fim que nos espera.

Umar Ibn Ibráhim Al Khayyámi

Matemático persa, escreveu o Rubáyát
http://www.editoraunesp.com.br/index.html

sábado, 14 de julho de 2012

Subjetivismo

"Ergo-me da cadeira com um esforço monstruoso, mas tenho a impressão que levo a cadeira comigo, e que é mais pesada, porque é a cadeira do subjetivismo"

Fernando Pessoa.
Heterônimo Bernardo Soares, no livro "Livro do Desassossego"

Injustiça

"A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar."

Martin Luther King

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Coisas



"É fácil dizer que tanto faz, 'deixa para lá, o passado está na gente, na nossa lembrança.' Fácil e um pouco falso: nossa identidade é sempre dispersa aos quatro ventos. Ela está nas pedras, nas coisas e nos outros."

Contardo Calligaris

Trecho de um texto - As coisas, os outros e os escombros - publicado no Jornal Folha de São Paulo - quinta-feira, 7 de junho de 2012, página E10

segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

Crença


"São poucas as pessoas saudáveis a ponto de conseguir viver sem se atormentar com a necessidade de resolver, como se diz, o enigma da vida. Ou seja, são poucas as pessoas para quem a experiência concreta se justifica por si só, pela alegria de viver. A maioria precisa recorrer a crenças que digam por que e para o que estamos aqui."

Contardo Calligaris

Fonte:
Folha de São Paulo, quinta-feira, dia 26 de abril de 2012, página E10, Ilustrada

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fotografia



"Picasso dizia que a arte é uma mentira que conta a verdade.  Falava da fotografia. 

Mentira só é mentira se puder passar por verdade.

O rosto todo torto e deformado de uma mulher com dois olhos do lado de cá do nariz não é uma mentira. 

É a verdade de Picasso. 


Mas a foto que fiz há dois anos e coloco no Facebook como sendo eu é pura mentira. 



foto de ontem é mentira hoje. Eu não sou mais daquele jeito que era ontem, hoje. 



Não penso mais assim, não sou mais aquele (e aquela) cara. E a fotografia é tanto mentira pelo tempo quanto pelo espaço. A foto da praia nos dá a ilusão de que é ela, mas não tem nada de praia - nem cheiro, nem vento, nem molha, nem enche o carro de areia.




Susan Sontag definiu bem isso: “Todas as fotos são memento mori, lembranças de algo que já desapareceu”.
Queremos que a vida não acabe, que nossa juventude não acabe, que as coisas boas nunca acabem.  
A fotografia surgiu disso, dessa fome do que não acaba nunca."

Fonte:
Apenas um Trecho de um texto denominado "FOTOGRAFANDO O QUE NÃO EXISTE",  Cláudio Edinger, publicado no Caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, domingo, 15 de abril de 2012, página J7

segunda-feira, 16 de abril de 2012

De quanta terra precisa um homem?


"Nele, um camponês rico chamado Pahom fica sabendo do fértil solo na terra dos Bashkirs, além do Volga. É gente simples, e ele conseguirá toda a terra que quiser deles sem muito problema. Quando Pahom chega à terra dos Bashkirs, dizem-lhe que por mil rublos ele pode ter tanta terra quanto nela puder andar durante um dia inteiro. Pahom, desprezando-os pela falta de sofisticação, fica exultante. Tem certeza de que poderá percorrer uma grande distância. Quase assim que se pôs a andar, contudo, avista uma paisagem atraente atrás da outra, um lago ali, ou uma faixa de terra mais adiante que seria boa para cultivar linho. Então percebe que o sol começa a se pôr. Ao compreender o risco de perder tudo, começa a correr cada vez mais depressa para fazer a tempo o percurso de volta. 'Peguei demais', diz a si mesmo. e 'arruinei tudo'. O esforço mata-o. Ele morre no posto final, e ali mesmo, é enterrado. 'Seis palmos da cabeça aos joelhos era tudo o que precisava', foi a conclusão de Tolstoi. A diferença na história, menos de sessenta anos depois, estava não apenas num único homem enterrado ali na estepe, mas em centenas de milhares de mortos por procuração"


Nota do Blog:
Trecho de texto retirado do livro Stalingrado, o Cerco Fatal, de Antony Beevor. Antony faz uma analogia entre um texto escrito por Tolstoi em 1886 - De quanta terra precisa um homem - com a megalomania de Adolf Hitler. Os milhares de mortos por procuração foram os soldados alemães que lutaram na Rússia no período de 21 de junho de 1941 até o ano de 1944. Adolf Hitler outorgou poderes para que milhares de jovens alemães lutassem e morressem em seu nome. Aos alemães mortos, se somaram milhares de russos, civis e militares, que também pereceram durante o conflito. 

Dica de Leitura:
Stalingrado, o Cerco Fatal, Editora Record, Antony Beevor, 12º edição, 2011.

Fotos:

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Rousseau versus Hobbes


"O filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-78) acreditava que o homem era essencialmente "bom" quando vivia em "estado de natureza", antes da criação do Estado e da propriedade privada. Ele criticava seu antecessor britânico Thomas Hobbes (1588-1679), que defendia uma visão oposta. Para Hobbes, o homem era o lobo do homem, e só graças ao Estado essa anarquia, essa luta de todos contra todos, poderia cessar. O israelense mostra que a razão está com Hobbes. Não só em termos de teoria; a prática, o cotidiano, tem mostrado que o autor do "Leviatã" era mais realista. Um exemplo rápido: o grande problema da Somália, do Haiti ou dos morros cariocas não é o excesso de Estado, e sim a ausência do "Leviatã". Um Leviatã, um Estado de verdade, não terceiriza o monopólio da violência legítima."

FONTE:
Trecho do artigo:
GUERRA É GUERRA
Arqueólogos escavam as origens dos conflitos armados.
Ricardo Bonalume Neto.
Caderno Ilustríssima, Domingo, 8 de abril de 2012, página 06, Folha de São Paulo
Comentários ao livro do autor israelense Azar Gat War in Human Civization, Oxford University Press, 848 págs, R$ 96,00.

________________
Nota do Blog
Eu também concordo com Thomas Hobbes. Sem Estado iríamos viver em estado de guerra de todos contra todos. Sempre que há algo que tire as forças do Estado de circulação, o resultado a gente vê na forma de saques, violência, etc. 
Exemplos da verdadeira natureza humana não faltam:




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Justiça


JUSTIÇA

O que a lei

não redime

é o crime

com defeito.


Se bem-feito

ou bonito,

o delito

talvez rime

com direito.


Se perfeito,

ora, o crime

é a lei.

Eugênio Bucci
Ilustríssima, Domingo, 21 de agosto de 2011, Folha de São Paulo, página 10.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Amicus curiae

Amicus curiae


Você sabe o significado da expressão latina  amicus curiae?
Amicus curiae designa as pessoas e entidades com interesse numa questãojurídica, da qual não são parte direta–e a legislação brasileira admite que possam fazer sustentações orais no Supremo Tribunal Federal.

Traduzindo ao pé da letra seria: Amigo da Corte

O Supremo Tribunal Federal é a mais alta corte da Justiça Brasileira, responsável pela guarda e pelo cumprimento da Constituição Federal

O Amicus Curiae é colaborador da justiça.

O Amicus Curiae não é parte de um processo, motivo pelo qual não pode efetuar nenhum pedido durante um processo.

Legislação:

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Erros e um final feliz

Erros e um final feliz

No dia a dia do Fórum nos deparamos com erros alheios que podem nos prejudicar

O exemplo abaixo é elucidativo aconteceu comigo.

Na imagem 1 temos o despacho do Juízo designando data e hora de uma audiência de instrução, debates de julgamento para o dia 11 de janeiro de 2011. Esse despacho consta da folha 53 do processo.

Muito bem, até aqui tudo bem.

O problema vai aparecer agora.

No documento aqui numerado como nº 2, vemos a folha 57 na qual há dois atos praticados por um serventuário da Justiça: No primeiro, ele diz que o despacho que marcava a audiência do dia 11 de janeiro teria sido remetido para a publicação no Diário Oficial no dia 17 de dezembro de 2010. Abaixo, ele volta a carga para dizer que aquilo que ele teria remetido em 17 de dezembro de 2010 fora publicado nesse mesmo dia! Eu não consigo imaginar como isso foi feito. Que celeridade! Nunca imaginei que um jornal fosse impresso tão rápido assim. Mesmo que fosse uma publicação apenas virtual, desconfio que não seria factível fazê-la com ao ponto da remessa de algo coincidir com a sua publicação.

Mas enfim, há mais.

Não vamos entrar no mérito da celeridade improvável da publicação.

De fato, algo foi publicado em meu nome naquele dia. Mas não era nada sobre a referida audiência para a qual eu deveria ter sido intimado, inclusive, pessoalmente, e não via diário oficial.

Na publicação do dia 17/12/2010 há um despacho que nada tem a ver com a audiência, pois nele há menção a um outro fato do processo, como se vê na imagem de número 3. Tratava-se de uma intimação de um apenso que dizia respeito ao pedido de restituição de uma motocicleta que teria sido usada pelo assaltante num roubo.

Qual foi o resultado disso tudo?

A audiência aconteceu no dia 11 de janeiro de 2011. Eu, como não tinha conhecimento dela, a ela não compareci. Todavia, fui dado como ausente e o Juízo determinou que se oficiasse à OAB local comunicando que eu não havia cumprido com as minhas obrigações.

Sobre essa audiência, veja a imagem número 4

Mas o final da história foi feliz.

A respeito do feliz deslinde dela, eis que tudo ficou esclarecido. E tudo isso acontecendo e eu não sabendo de nada.

Na imagem 5 vemos o serventuário se corrigindo em parte

Na imagem 6, o Juízo, ao tomar ciência da Certidão do seu serventuário, pede que se desconsidere o envio daquele oficio à OAB local no qual constaria a minha ausência de uma audiência que eu sequer fora intimado, nem pessoalmente, nem via diário oficial.

Imagens mencionadas acima e relacionadas abaixo. Para melhor visualização, clique sobre elas (botão esquerdo do seu mouse - um clique ou duplo clique):
Imagem 1:


Imagem 2:
Imagem 3:

Imagem 4:

Imagem 5:

Imagem 6:




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vida longa



"Hoje, eu vejo que uma das
gratificações de uma longa
vida é poder revisitá-la."


Roberto Damatta

Poema

PREPARANDO A CREMAÇÃO



Levanto-me. Vou ao cartório

autorizar minha cremação. Autorizar

que transformem

minhas vísceras, sonhos e sangue

em ficção.

O que pode haver

de mais radical?

Assinar este papel

tão simples

tão fatal.

Autorizar a solução final

de todos os poemas.



Faz um belo dia. Do terraço

vejo o mar:

pescadores cercam um cardume

banhistas seguem

se expondo à vida, ao sol.

Olho a trepadeira de jasmim

os vasos de begônia e gerânios

margaridas brancas e a azaleia:

– a vida continua viva dentro

e ao redor de mim.

Poetas antes e depois de Homero

tentaram cantar a morte.

(Nos consolaram).

Hamlet (cioso)

dialogou com uma caveira

de antemão.

Olho cada parte de meu corpo

que vai se desintegrar:

mexo os dedos, vejo as veias

e no espelho esse olhar

que nada mais verá.

Irei à praia daqui a pouco

mas antes passarei pelo cartório.



Há muito venho me preparando

me despedindo do sorriso da mulher, das filhas

da rua onde diariamente passo

me despregando dos livros

vizinhos e paisagens.

Não sou só eu. Minha mulher

antes de mim no mesmo cartório foi

e ainda mostrou-me o documento.

Olho-a neste terraço: lá está ela, viva!

ligada nas plantas e planos. Olho-a:

acabou de fazer um vestido novo.

Como imaginá-la no jamais?

Ao lado, o barulho de um túnel que estão cavando:

– é a nova estação do metrô.

Há um alarido de crianças na escola vizinha

e eu saio

numa esplêndida manhã de sol

para cuidar de minhas cinzas.

Tenho muito que dialogar com a morte

e a vida ainda.
 
O AUTOR


Nome: Affonso Romano de Sant’Anna

Idade: 74. Nascimento: Belo Horizonte
SITE OFICIAL:
http://www.affonsoromano.com.br/

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ouvindo e tentando entender as razões dos outros



Quando eu faço triagens de pessoas que querem se divorciar, ouvindo-as, eu acabei concluindo o seguinte:

 
Por que o amor desaparece? Aquele casal que se amava e que depois de algum tempo, que nos dias atuais é cada vez menor, procura um advogado, senta-se diante dele e manifesta o desejo de não viver mais junto. Por vezes aqueles dois que se amavam nem se olham...olham para o advogado, para o teto, para o chão, para a estante cheia de livros mas não olham para aquela pessoa que está ali sentada ao lado dela e que outrara fora o amor de sua vida. É perceptível concluir ao ouvir esses casais à beira do divórcio que todo mundo busca, mas pouca gente consegue encontrar um amor que supere o maior dos desafios: o tempo. Num grande amor, capaz de sobreviver ao lado B da vida (a rotina, a dor, a doença, as instabilidades e as dificuldades financeiras) é preciso entender que o outro é, na verdade, muito diferente de nós. Nâo é nossa alma gêmea. Não sendo duas pessoas iguais, é preciso ser humilde e tentar compreendê-lo ou compreendê-la colocando-se no seu lugar.

É preciso entender também que uma relação amorosa não sobrevive sem diálogo. Mas isso não significa exclusivamente discutir a relação. Dialogar pode ser tratar de fatos do dia a dia, da família, do trabalho e até da vida e suas implicações. Os homens sempre imaginam que vão levar bronca quando começa uma conversa a dois. A diferença é que eles encaram conversas como um jeito de resolver problemas. Solucionar problemas é a forma masculina de demonstrar interesse. Aprenda a ouvir as queixas e as críticas dele sem se revoltar. O homem não encontra na mulher uma boa interlocutora porque ela não encara como sentimento as experiências que ele traz para a conversa. Mal interpretado, ele acaba silenciando. O ideal é revelar seus sentimentos, sem acusar. Diga sempre: é difícil para mim quando... ou fico triste ao perceber que... Isso não quer dizer que você deva engolir sapos. Pessoas que não dizem o que sentem acumulam mágoas e, mais cedo ou mais tarde, elas reaparecem e daí explodem. A ideia de felicidade conjugal depende da expectativa que se tem da união. Uma das chaves da felicidade a dois é a capacidade de se adaptar. O casal tem de administrar a imprevisibilidade da vida, sem sobrecarregar a relação com as tensões do dia a dia. O amor companheiro nasce da criatividade, que ensina a lidar com as divergências, sem querer mudar o parceiro.

segunda-feira, 7 de março de 2011

8 de março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER

CÂNTICO DA TERRA

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda a vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande mãe universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

CORA CORALINA
Coleção Melhores Poemas, seleção de Darcy França Denófrio, Editora Global Editora, 3º edição, 2004, São Paulo, páginas 311/312
http://www.globaleditora.com.br/

sábado, 5 de março de 2011

Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais do que a verdade?

O Juramento caiu em desuso.

Alguém pode ver esse ato apenas como uma mera formalidade.

Em Juízo, num processo judicial, o juramento ainda é usado. É crime mentir em juízo como já escrevi:

http://direitomaisdireito.blogspot.com/search/label/Falso%20Testemunho

Mas quando a Religião era mais presente no dia a dia das pessoas, essa conduta de jurar em nome de Deus tinha muita importância. As pessoas juravam por temer à Deus e não à Lei Criminal

Trecho de um filme que descreve bem a ideia moral do Juramento:

"Deus aprecia mais os pensamentos do coração do que as palavras da boca?


Mas o que é o juramento senão palavras que dizemos a Deus?


Quando um homem presta juramento, está a colocar-se nas suas próprias mãos, como água.


Se abre os dedos, nega-se a esperar que se encontre consigo mesmo novamente."

Trecho retirado do filme: A Man for All Seasons (O Homem que não vendeu sua alma ou Um homem para a eternidade)
http://cinema.uol.com.br/resenha/o-homem-que-nao-vendeu-sua-alma-1966.jhtm

Pelo que eu compreendi, abrir os dedos significa deixar de cumprir com aquilo que jurou e dessa forma deixar de se encontrar consigo mesmo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

As artérias da pedra



AS ARTÉRIAS DA PEDRA


A pedra não filosofa.

Ela bloqueia no seu bloco

de pedra o pensamento

e a sua corda.

A pedra não acorda as coisas

nem dá corda

para metafísicas plangentes.

No seu bloco bloqueado,

a pedra dispensa a ânima

e o ânimo do fluxo líquido

das correntes.

A pedra não corre.

Ela se estaca

e se adensa

no lugar em que se assenta.

Quieta,

a pedra é menos lição

e mais experiência.

Contra ela batem coisas,

batem ventos

e batem outras pedras

diversas.

Mas ela não se move

nem se dispersa

em sua imóvel

siesta.

Nem no sono de sua siesta,

a pedra regurgita por dentro

algum pétreo

som de estômago.

Ou algum flúor

indômito

de qualquer ânsia

de vômito.

A pedra não metaboliza

nem expulsa seus alimentos

nos íntimos arcanos

de seu templo.

Ela concentra nos intestinos

de sua natureza

a cúpula fechada

e a argamassa espessa

de sua igreja.

Isto porque a pedra

mais dorme

do que come.

E o sono dela não é nem sonso

nem elétrico.

Seu sono de pedra

não é o sono épico

ou lírico

de um homem que sonha leve

e aceso.

Bem ao inverso,

seu sono,

de chumbo eterno,

é um sonho paralítico

e paquidérmico.

Tanto que,

silêncio calmo,

as artérias da pedra

são átomos

que, dentro dela,

não se explodem,

compactos que são

em seus ásperos

conformes.

Pois esta é a ciência

de seu nome: - a pedra

não tem as artérias

das árvores,

nem as artérias de nosso corpo

plantado nas veias

de nossa carne.

Dessa ciência,

a diferença nasce,

magna e plena,

entre a pedra

(com o minério esquivo

do seu todo exposto)

e a nossa carne

(com o mistério vivo

no peso de nosso corpo).

Por isso,

a diferença da ciência

da pedra

está no confronto

pronto de suas artérias.

E a diferença é esta:

- As artérias da pedra

só se fixam no todo

dos seus átomos exangues

e impávidos.

Assim inerte,

a pedra inscreve

o império

de seu monólogo fechado.

- As artérias do corpo,

ao contrário,

só se movem na carne

do nosso sangue

e seus intrépidos coágulos.

Assim ativa,

a carne aviva

o espelho

de seu diálogo sangrado.
 
Autor:
Mario Chamie

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Olho por olho e o mundo acabará cego



"Um iraniano de 24 anos foi condenado a perder um olho e uma orelha por cegar outro jovem que ele confundiu com um ex-colega de classe que zombava dele. O iraniano, identificado como Hamid, também foi condenado a pagar uma indenização após ser considerado culpado pelo ataque com ácido cometido em 2005. Hamid disse que foi obrigado a se mudar para outra cidade, mas não esqueceu a perseguição sofrida."

Fonte da Notícia:
Jornal: O Estado de São Paulo, 30 de dezembro de 2010, página A16 (Internacional).

sábado, 18 de dezembro de 2010

AUSÊNCIA CHEIA





A CHÍCARA

Chícara posta sobre a mesa.
Ela traz em sua alça
a nostalgia dos dedos.
É preciso muita mão
para alçar
a chícara à altura dos
seus penedos.
Não que o penedo seja
alguma
montanha que se busca.
A questão não é assim 
difusa.
Antes de tudo,
há a chícara em si:
é porcelana, é louça?
É plataforma de formas
sobre o pires?
É a borra de café que
pousa para a leitura
dos elixires
de alguma sorte
sem rumo?
A chícara em si é e não é
o dado bruto de um
vácuo, cujo núcleo
não é o mundo
vago de uma sede vaga
e seca.
O oco da chícara dita
outra regra
sobre a mesa:-
a regra da ausência cheia
que, vazia, se preenche
por si mesma.

Autor:
Mário Chamie.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quando a existência torna-se expiação


"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A agiotagem explora o juro. A IGNORÂNCIA PESA SOBRE O POVO COMO UM NEVOEIRO. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. NÃO É UMA EXISTÊNCIA; É UMA EXPIAÇÃO. Diz-se por toda a parte: O país está perdido. Por isso, começamos a apontar o que podemos chamar de o progresso da decadência."
José Maria de Eça de Queiroz, 1871 (Esse texto foi extraído de uma crônica de Arnaldo Jabor, publicada no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, em 16.11.2010, CADERNO 2, página D10

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Trata-se de um texto escrito por Eça de Queiroz no qual ele traça um panorama do que era Portugal no século XIX. Acredito que essa descrição se coaduna com o que é o Brasil de hoje.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Passarinho


Sabe que uma vez vi no chão um passarinho doente. 
Estava frio e, para aquecê-lo, peguei um punhado de esterco que estava no jardim e o cobri com ela.
O passarinho melhorou e ficou tão quente e feliz que começou  piar.
Então, eis que surge um gavião...que ouviu os pios e deu um rasante e abocanhou o passarinho.
Moral da estória:
Nem sempre quem te põe na merda é seu inimigo e nem sempre quem o tira é seu amigo.
E o mais importante de tudo:
Passarinho que está na merda não dá um pio.

sábado, 14 de agosto de 2010

A felicidade eu só a tive quando o destino se distraiu por alguns minutos.



É na banalidade do dia a dia que pode vingar a alegria sem que a percebamos, porque deveríamos ser felizes da mesma forma como os nossos momentos de alegria deveriam durar para sempre; os filhos só morreriam depois de seus pais e o companheirismo simples dos irmãos que vivem juntos seria eterno. Mas a vida não é assim. Como a beleza do sol com sua luz peculiar se evidencia quando ele se põe, a simplicidade da vida compartilhada com o seu amor (esposa/namorada), o amor óbvio e incondicionado entre pais e filhos, tudo isso só é percebido quando chega a hora da dor ou quando não se tem mais ou nunca se teve aquele amor ou uma família. Somo bombardeados diuturnamente com várias promessas de felicidade na forma de um consumismo desenfreado atrás de sexo, produtos, viagens, etc. A verdadeira felicidade fica bem longe desses bombardeios...uma pessoa só se dará conta disso quando chega a hora da dor ou ainda quando ela se vê sem asquilo que realmente importa (um amor, uma família estruturada).
Depois dos meus 12 anos de idade,  a felicidade eu só a tive quando o destino se distraiu por alguns minutos..

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Destino

 
 
O longo vôo das aves no inverno ultrapassa todas as dificuldades, porque as aves conhecem seu destino.
Mahatma Ghandi
Líder pacifista indiano

sábado, 22 de maio de 2010

Profecia



Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, Profecias de Ivan Fiodorovich:

Quando a humanidade, sem exceção, tiver renegado Deus, então cairá por si só, sem antropofagia, toda a velha concepção de mundo e, principalmente,  toda a velha moral, e começará o inteiramente novo. Os homens se juntarão para tomar da vida tudo o que ela pode dar, mas visando unicamente à felicidade e alegria neste mundo. O homem alcançará sua grandeza imbuindo- se do espírito de uma divina e titânica altivez, e surgirá o homem deus.Vencendo,a cada hora, com sua vontade e ciência, uma natureza já sem limites, o homem sentirá assim e a cada hora um gozo tão elevado que este lhe substituirá todas as antigas esperanças no gozo celestial. Cada um saberá que é plenamente mortal, não tem ressurreição, e aceitará a morte com altivez e tranquilidade...”

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Silêncio



O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras.
Thiago de Mello
Poeta brasileiro
http://www.youtube.com/watch?v=XylbBRdiRdI


Por vezes essas verdades trazidas pelo silêncio nem precisam se transformar em palavras. Nos últimos tempos certos silêncios me fizeram ter certeza sobre coisas relacionadas a mim as quais já me pareciam evidentes mas que precisavam de uma confirmação de uma terceira pessoa para que a certeza se fizesse presente em mim. Por vezes o silêncio gritas certas verdades; é um silêncio barulhento, eloquente e que lhe faz um belo estrago em sua já combalida e inexistente auto-estima.

quarta-feira, 31 de março de 2010

DA HUMANA CONDIÇÃO


CUSTA O RICO A ENTRAR NO CÉU


(AFIRMA O POVO E NÃO ERRA).


PORÉM MUITO MAIS DIFÍCIL


É UM POBRE FICAR NA TERRA.


Mario Quintana.


Amigo


DO AMIGO


Olha! É como um vaso


De porcelana rara o teu amigo.


Nunca te sirvas dele...Que perigo!


Quebrar-se-ia, acaso...


Mario Quintana

Coleção Melhores Poemas, Seleção Fausto Cunha, http://www.globaleditora.com.br/

2005, 17º edição